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segunda-feira, abril 13, 2026

Cuba avalia movimentação militar dos EUA diante das ameaças de Trump

Diante de ameaças de intervenção por parte dos Estados Unidos, autoridades cubanas intensificaram o monitoramento dos movimentos militares na região e afirmam estar preparadas para a possibilidade de uma ação contra a ilha.

Órgãos de defesa e centros de pesquisa em Havana dizem acompanhar continuamente a movimentação de forças, citando a capacidade atual de conduzir operações à distância. O governo cubano relembra ainda que o risco de uma ação militar dos EUA existe desde o triunfo da Revolução, em 1959, e tende a reaparecer em momentos de fragilidade econômica.

A memória histórica é invocada pelas autoridades: a tentativa de invasão na Praia Girón, em 1961, e intervenções em países do Caribe e da América Central — como as operações dos EUA em Granada (1983) e no Panamá (1989) — são citadas como precedentes que aumentaram a percepção de ameaça. Também é apontado que a presença da base naval norte-americana em Guantánamo, ocupada desde 1903, reduz a necessidade de deslocamento de tropas por parte dos EUA.

José R. Cabañas Rodríguez, embaixador cubano que atuou em Washington a partir de 2012 durante o governo de Barack Obama, tem sido uma das vozes a tratar do tema nas declarações oficiais. As autoridades de Havana também avaliam que a circulação de informações sobre uma possível invasão pode ter o efeito de amedrontar a população.

O recrudescimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, com sanções a países que vendam petróleo a Cuba, tem sido apontado como causa direta da crise energética no país. Segundo o governo cubano, a ilha ficou por mais de três meses sem receber fornecimentos regulares de petróleo, o que provocou apagões diários de mais de 12 horas na capital e cortes de energia durante todo o dia em municípios do interior.

No fim de março, um petroleiro russo transportando cerca de 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto chegou a Cuba, aliviando parcialmente a situação. O governo informou que essa carga equivaleria a aproximadamente um terço do consumo mensal do país.

Nesse cenário, Havana e Washington iniciaram negociações para tentar viabilizar a importação de combustível. O governo cubano afirma que negociações com os EUA já ocorreram no passado e que qualquer acordo deve respeitar a soberania do país.

Em discurso nas Nações Unidas, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou o bloqueio energético como uma punição coletiva e apresentou dados sobre impactos no sistema de saúde: segundo as informações oficiais, mais de 96 mil pessoas aguardariam cirurgias, incluindo mais de 11 mil crianças; mais de 16 mil pacientes necessitariam de radioterapia e quase 2,900 dependeriam de hemodiálise, todos afetados por cortes no fornecimento de energia.

Moradores de Havana relatam que a população vive um dos piores momentos recentes em razão das dificuldades provocadas pelo endurecimento do bloqueio, em vigor desde o fim de janeiro deste ano.

Na tentativa de influenciar a opinião pública e buscar apoio, o presidente cubano recebeu parlamentares do Partido Democrata dos EUA que se posicionam contra as sanções energéticas. A visita ocorreu em meio a um movimento de solidariedade de grupos norte-americanos que, segundo autoridades cubanas, pode resultar em pressão interna contra uma eventual ação militar.

O presidente também concedeu entrevista exclusiva a uma emissora norte-americana, na qual reafirmou a disposição do governo em resistir a qualquer intervenção externa.

O aperto do cerco econômico neste ano é apresentado por Havana como uma tentativa de desestabilizar o governo do Partido Comunista, que desafia a influência política dos EUA na região. O embargo norte-americano a Cuba completa, segundo o texto oficial, 66 anos desde as primeiras medidas adotadas após a Revolução de 1959.

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