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terça-feira, abril 14, 2026

Pré-natal integral tem menor cobertura entre indígenas e mulheres com baixa escolaridade

Quase todas as gestantes no Brasil (99,4%) fazem ao menos uma consulta de pré-natal, mas a continuidade do acompanhamento cai ao longo da gravidez, chegando a 78,1% na sétima visita. É o que aponta estudo divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), em parceria com a organização Umane.

A pesquisa mostra que a queda na cobertura concentra-se entre mulheres com menor escolaridade, indígenas e residentes da Região Norte. Entre gestantes com maior nível de instrução formal, 86,5% completam o pacote de consultas; entre as com menos tempo de estudo, esse índice cai para 44,2%.

O trabalho destaca diferenças acentuadas por cor/raça e escolaridade. Apenas 19% das indígenas com baixa escolaridade alcançaram o número recomendado de consultas, frente a 88,7% das mulheres brancas com 12 anos ou mais de estudo. No recorte por cor/raça, 51,5% das mães indígenas concluíram o pré-natal, contra 84,3% das brancas, 75,7% das pretas e 75,3% das pardas.

A taxa de abandono do acompanhamento também é muito maior entre indígenas: em 46,2 pontos percentuais o acompanhamento é interrompido, índice cerca de três vezes superior ao observado entre mulheres brancas (15,3 pontos percentuais).

Regionalmente, a cobertura completa do pré-natal varia: Norte (63,3%), Nordeste (76,1%), Centro-Oeste (77%), Sudeste (81,5%) e Sul (85%). Entre adolescentes com menos de 20 anos, apenas 67,7% atingem o acompanhamento integral, contra 82,6% das mulheres com mais de 35 anos.

O levantamento foi feito a partir de mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) em 2023, do Ministério da Saúde.

Em 2024 o governo federal atualizou o parâmetro de acompanhamento, adotando sete consultas como referência, e lançou a Rede Alyne, iniciativa com meta de reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027; para gestantes negras, a meta prevista é a redução pela metade.

Funções e exames do pré-natal

O pré-natal tem como objetivos detectar precocemente condições que possam representar risco à mãe e ao feto e possibilitar intervenções médicas adequadas, reduzindo complicações no parto.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda orientar sobre amamentação e manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. A partir daí, deve-se iniciar alimentação complementar saudável, mantendo o leite materno como principal fonte de nutrição até os dois anos ou mais.

A periodicidade das consultas varia conforme a idade gestacional: mensal até a 28ª semana; a cada 15 dias da 28ª à 36ª semana; e semanal nas últimas semanas de gestação.

Entre os exames comumente solicitados pelas equipes de pré-natal, conforme a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estão hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia de jejum, testes para sífilis (VDRL), HIV, sorologias para toxoplasmose e hepatite B (HBsAg), exame de urina e urocultura. Podem ser indicados exames de imagem obstétrica conforme necessidade clínica, citopatológico do colo do útero, pesquisa de secreção vaginal e parasitológico de fezes.

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