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quinta-feira, abril 16, 2026

Estudo aponta associação entre dengue e síndrome de Guillain-Barré

Pesquisadores da Fiocruz Bahia e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres identificaram associação significativa entre infecção por dengue e aumento no risco de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB).

O estudo, publicado na revista New England Journal of Medicine, aponta que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm risco 17 vezes maior de apresentar SGB nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas, esse risco chega a 30 vezes.

Em termos absolutos, os autores estimam que, para cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pessoas podem desenvolver SGB. Apesar de ser um aumento pequeno em percentuais, o número é considerado relevante diante das epidemias recorrentes.

Os pesquisadores analisaram três grandes bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): internações hospitalares, notificações de dengue e registros de óbitos. Na série temporal entre 2023 e 2024 foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB, das quais 89 ocorreram logo após o início dos sintomas de dengue.

O estudo ressalta a necessidade de inclusão da SGB como complicação pós-dengue nos protocolos de vigilância em saúde. Recomenda-se que sistemas de saúde estejam preparados para detectar precocemente sinais de fraqueza muscular, dispor de leitos de UTI e suporte ventilatório, e ativar estratégias de vigilância ativa nas semanas seguintes ao pico de casos de dengue.

Segundo a Fiocruz, os achados também servem para orientar profissionais de saúde a suspeitarem de SGB em pacientes com histórico recente de dengue (até seis semanas) que apresentem fraqueza nas pernas ou parestesias. O diagnóstico precoce é considerado fundamental, já que os tratamentos disponíveis — imunoglobulina ou plasmaférese — são mais eficazes quando iniciados rapidamente.

Os autores enfatizam a importância da notificação de casos de SGB pós-dengue às vigilâncias epidemiológicas municipais e estaduais. Ainda de acordo com a Fiocruz, não existe tratamento antiviral específico para a dengue; o manejo atual baseia-se em hidratação e suporte clínico. Por isso, medidas de prevenção, como controle do Aedes aegypti e vacinação, continuam sendo as mais eficazes para reduzir casos e complicações graves.

O estudo também observa que a dengue se espalhou rapidamente globalmente, com 14 milhões de casos registrados em 2024. No Brasil, o país ultrapassou 6 milhões de casos prováveis em 2024, o que torna o número absoluto de possíveis complicações por SGB relevante para o planejamento do sistema de saúde.

A relação entre arboviroses e complicações neurológicas já havia sido demonstrada durante a epidemia de Zika em 2015-2016, quando houve aumento expressivo de casos de SGB. Dengue e Zika pertencem à mesma família de vírus.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, provocando fraqueza muscular que costuma começar nas pernas e progredir para braços e face. Em casos severos, a respiração pode ser comprometida, exigindo suporte ventilatório. A maioria dos pacientes se recupera, mas a recuperação pode levar meses ou anos, e alguns ficam com sequelas permanentes.

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