A contação de histórias, hábito antigo e central na formação humana, influencia a memória coletiva e estimula a imaginação, a criatividade e o senso crítico durante a infância. Nos últimos anos, porém, a prática tem sofrido alterações devido ao aumento do contato das crianças com telas e dispositivos digitais.
A atividade de contar e ouvir histórias exige disponibilidade de quem narra e de quem escuta. A concorrência pela atenção provocada por celulares e outros aparelhos vem transformando a rotina de trocas narrativas, inclusive em momentos cotidianos como as refeições.
Pesquisas e observações sobre educação indicam que elementos da linguagem, como a musicalidade, desempenham papel importante no acolhimento infantil desde a gestação. Ao mesmo tempo, a exposição crescente a telas tem modificado formas de interação e reduzido episódios de escuta compartilhada e de imaginação guiada.
Em Brasília, iniciativas presenciais buscam resgatar o aspecto lúdico da contação. A atriz e autora de livros infantis Adriana Nunes realiza oficinas em escolas da região há cerca de dez anos. Nessas atividades, crianças acompanham histórias por meio de música, leitura de livros e encenação dos personagens, em brincadeiras que não dependem de tecnologia de tela.
Espaços como bibliotecas também mantêm viva a prática. Na capital federal, crianças frequentam ambientes públicos de leitura que oferecem acesso a livros e atividades que incentivam a leitura fora do ambiente doméstico. Entre frequentadores de uma dessas bibliotecas estão Hórus, 7 anos, que costuma ler principalmente em casa, e Ícaro, 8 anos, que prefere gibis como Pato Donald e Turma da Mônica.
Especialistas e iniciativas locais apontam que bibliotecas e oficinas presenciais são estratégias importantes para preservar a arte de contar histórias e estimular a imaginação das novas gerações.
Reportagem com produção de Salete Sobreira.




