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quinta-feira, maio 7, 2026

Combate à violência é desafio para 71,7% dos gestores escolares

Sete em cada dez gestores de escolas públicas enfrentam dificuldade para discutir, dentro do ambiente escolar, formas de combater violências como bullying, racismo e capacitismo. O dado faz parte de uma pesquisa sobre clima escolar divulgada nesta quarta-feira (6).

O levantamento ouviu 136 gestores de 105 escolas públicas, sendo 59 municipais e 46 estaduais. O estudo foi conduzido pela Fundação Carlos Chagas (FCC), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), com o objetivo de reunir subsídios para o novo Guia de Clima Escolar Positivo para Equipes Gestoras. O material será lançado nesta quinta-feira (7), em canal do MEC no YouTube.

Segundo a pesquisa, lidar com episódios de violência no ambiente escolar é um desafio complexo e depende de preparação, apoio institucional e ações organizadas. Entre as dificuldades apontadas está a tendência de relativizar agressões, tratando-as como brincadeiras, o que pode atrasar medidas de proteção às vítimas.

Outro problema identificado é que muitas escolas estão inseridas em territórios marcados por violência externa, além de enfrentarem barreiras para envolver famílias e a comunidade na solução dos conflitos.

O estudo também mostra que o uso genérico do termo bullying pode ocultar outras formas de discriminação, como racismo, xenofobia, capacitismo e violência de gênero. A pesquisa destaca que um clima escolar positivo ajuda a prevenir esse tipo de situação, ao favorecer relações de confiança, respeito e escuta entre estudantes e adultos.

Entre os principais resultados, 67,9% dos gestores relataram dificuldades para aproximar escola, famílias e comunidade. Outros 64,1% apontaram problemas na construção de bons vínculos entre os alunos. Já 60,3% mencionaram entraves para fortalecer o sentimento de pertencimento dos estudantes e também para melhorar a relação entre alunos e professores. Além disso, 49% relataram dificuldades para garantir a sensação de segurança entre os estudantes.

A pesquisa também mostrou que 54,8% das escolas nunca fizeram um diagnóstico estruturado do clima escolar. Para os pesquisadores, essa etapa é essencial para orientar políticas de convivência e aprendizagem. Por outro lado, 67,6% das unidades afirmaram ter uma equipe responsável por ações voltadas à melhoria do ambiente escolar. Nas demais, essa tarefa fica diretamente com a gestão.

O estudo ouviu escolas de dez estados — Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Sergipe e São Paulo — entre março e julho de 2025.

A divulgação ocorre na mesma semana em que o governo federal recriou um grupo de trabalho para apoiar a formulação de políticas de combate ao bullying e ao preconceito na educação. O colegiado, formado por áreas técnicas do MEC, terá prazo inicial de 120 dias para apresentar um relatório com propostas e conclusões.

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