A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano da Fundação Oswaldo Cruz (rBLH-BR/Fiocruz) realiza entre esta segunda-feira, 18, e quarta-feira, 21, o 1º Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano, no Rio de Janeiro.
Com o tema “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, o encontro marca os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano e vai discutir avanços, desafios e perspectivas da mobilização internacional em favor da doação, considerada fundamental para a saúde de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados.
O Brasil tem mais de 230 bancos de leite humano, e é referência mundial na área. A Fiocruz lidera iniciativas que ajudaram a formar a maior e mais complexa rede de bancos de leite humano do mundo.
Especialistas da rede alertam que um dos principais desafios é ampliar a conscientização de mulheres que amamentam sobre a importância de doar o leite excedente. Em muitos casos, o volume produzido supera a necessidade do bebê, mas ainda há desperdício desse alimento, que pode ser processado e destinado a recém-nascidos em situação de vulnerabilidade.
O leite doado passa por controle de qualidade antes de ser distribuído aos bebês internados. Além de alimento, ele funciona como recurso terapêutico, contribuindo para a imunidade, o desenvolvimento e a recuperação mais rápida dos pacientes.
A rede ainda não consegue atender toda a demanda. A oferta de leite varia ao longo do ano e costuma cair após maio, período em que as campanhas de mobilização ganham força. As férias e as festas de fim de ano também afetam o volume arrecadado. Com a chegada do inverno, aumenta a internação de bebês, elevando a necessidade de doações.
No Instituto Fernandes Figueira, o banco de leite registra, em alguns meses, entre 100 e 150 doadoras, com média mensal de 100 a 150 litros coletados.
No país, o Distrito Federal já alcançou autossuficiência na oferta de leite humano e consegue atender todos os bebês que dependem do serviço. Rio Grande do Sul e Santa Catarina também avançam nessa direção. No Norte e no Nordeste, porém, a estrutura ainda é mais limitada, com a maioria dos estados contando com apenas um banco de leite, exceto Amazonas e Pará.
No estado do Rio de Janeiro, a rede tem 17 bancos de leite humano, distribuídos na capital, na região metropolitana e em cidades do interior, como Petrópolis, Nova Friburgo, Campos e Volta Redonda.
Apesar de o volume de doações ter aumentado 8% em determinado período, o crescimento ainda é considerado insuficiente para atender a toda a necessidade. Em alguns meses, o número de doações se manteve estável e até recuou.
Ao longo dos últimos 15 anos, a rede também acumulou avanços institucionais. Durante a pandemia de covid-19, por exemplo, lançou uma campanha internacional para escolher o slogan do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, com participação aberta a pessoas de vários países. A iniciativa ampliou o alcance da mobilização e passou a ser adotada nos anos seguintes.
A atuação brasileira no setor é reconhecida internacionalmente e envolve cooperação com os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, além de parcerias com a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde.
A Fiocruz abriga o único Centro Colaborador da Opas e da OMS para Bancos de Leite Humano, responsável por coordenar ações de qualificação de serviços e fortalecimento de redes em diferentes países.
O congresso será realizado no Hotel Windsor Guanabara, no centro do Rio, em formato híbrido, com participação presencial, via Zoom e transmissão pelo canal da rBLH no YouTube. A programação começa às 8h e inclui debates sobre os efeitos da pandemia, emergências sanitárias ligadas às mudanças climáticas, crises humanitárias e os desafios para alinhar respostas globais aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 3, de Saúde e Bem-estar.




