O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR) completa 30 anos em meio a uma nova fase marcada pela inteligência artificial. Criada em 1996 por professores do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a instituição nasceu com a proposta de ajudar a manter no Recife talentos formados em diferentes áreas e acabou se tornando uma das bases para a consolidação do Porto Digital.
Hoje, o parque tecnológico reúne cerca de 500 empresas na área do Recife Antigo e é considerado um dos principais polos de inovação do país. Um dos fundadores do CESAR, o engenheiro e escritor Silvio Meira, retorna agora ao Conselho de Administração da instituição.
A trajetória do centro começou em um ambiente de efervescência cultural e tecnológica, influenciado pelo manguebeat, movimento surgido nos anos 1990 e que misturou referências como maracatu, reggae, hip hop e tecnologia. Para Meira, a inteligência artificial representa o maior desafio atual porque altera profundamente tarefas repetitivas e cognitivas realizadas por humanos.
Na avaliação do engenheiro, sistemas de IA já são capazes de executar, com alto desempenho, atividades como produção de código, análise de dados e respostas automatizadas em áreas como atendimento, marketing e recursos humanos. Isso, segundo ele, muda a função das equipes, que passam a definir, supervisionar e validar o trabalho feito pelas máquinas.
No Porto Digital, empresas ligadas ao CESAR adotam esse modelo e incorporam agentes inteligentes aos processos internos. A lógica é substituir tarefas repetitivas por automação, acelerar entregas e ampliar a produtividade.
Meira também relaciona a transformação tecnológica ao debate sobre regulação das plataformas digitais. Ele afirma que o tema precisa ser enfrentado com regras claras, especialmente em um cenário de eleições e uso crescente de algoritmos na circulação de informações.
Para ele, a ausência de uma discussão mais ampla sobre limites, proteção de dados e responsabilidade das plataformas ajuda a manter um ambiente de desinformação e disputa política sem controle suficiente. O pesquisador defende que esse debate envolva governo, Congresso, sociedade e empresas de tecnologia.




