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quarta-feira, maio 27, 2026

Anabolizantes podem causar hipertrofia cardíaca; saiba como prevenir

A morte do influenciador e fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, reacendeu o alerta sobre os riscos do uso de anabolizantes para o coração. O atestado de óbito apontou cardiomiopatia hipertrófica, condição que provoca espessamento anormal do músculo cardíaco e pode levar a complicações graves.

Com 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais, Ganley publicava com frequência sua rotina de treinos e já havia relatado o uso de hormônios anabolizantes durante a preparação física. Ele foi encontrado morto no apartamento onde morava, no bairro da Mooca, em São Paulo, no último sábado (23).

Especialistas ouvidos sobre o caso destacam que o uso dessas substâncias em doses elevadas pode provocar aumento do coração, já que o órgão também é um músculo. Com o tempo, esse processo pode comprometer o funcionamento cardíaco e evoluir para insuficiência cardíaca.

Os esteroides anabolizantes são drogas sintéticas usadas, de forma regular, em situações de deficiência de testosterona, como em alguns casos de envelhecimento ou hipogonadismo. Fora dessas indicações médicas, o uso com objetivo estético ou de melhora de desempenho esportivo é proibido e traz prejuízos importantes à saúde.

A cardiomiopatia hipertrófica é considerada uma das principais causas de morte súbita entre jovens e atletas. A doença pode dificultar o bombeamento de sangue e o relaxamento do coração, elevando o risco de eventos fatais.

Segundo cardiologistas, pessoas que usam anabolizantes costumam subestimar os riscos e, em busca de resultados rápidos, aumentam doses e combinam substâncias diferentes. Em muitos casos, a descoberta de problemas cardíacos ocorre tarde demais, quando já há danos avançados.

Também há um componente genético importante na cardiomiopatia hipertrófica. A condição pode atingir uma em cada 500 pessoas e muitas vezes não apresenta sintomas. Por isso, a doença pode passar despercebida até a vida adulta, inclusive entre jovens aparentemente saudáveis.

No caso de Ganley, médicos avaliam que apenas exames anteriores poderiam indicar se ele já tinha predisposição para a cardiomiopatia antes do uso de anabolizantes. Sem essa análise, não é possível afirmar que as substâncias foram a única causa da morte.

A orientação de especialistas é que pessoas jovens, especialmente atletas e praticantes de modalidades de alta exigência física, façam avaliação cardiovascular regular. Exames como eletrocardiograma e ecocardiograma podem ajudar a identificar alterações antes do surgimento de sintomas.

Entre os sinais que merecem investigação estão falta de ar aos esforços, dor no peito, tontura, desmaios e histórico familiar de morte súbita.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça que o uso de anabolizantes para fins estéticos ou de performance é proibido no país. O uso é indicado apenas em situações clínicas específicas, com diagnóstico confirmado e acompanhamento médico.

Nos consultórios, médicos relatam que têm recebido cada vez mais pacientes jovens com problemas cardíacos associados ao uso sem supervisão. Em casos mais graves, há relatos de perda importante da função do coração e necessidade de avaliação para transplante.

Entre mulheres, também cresce o uso de testosterona injetável e de implantes hormonais, conhecidos como “chips da beleza”, apesar da proibição da Anvisa. Esses dispositivos liberam substâncias ao longo do tempo e são divulgados com promessas de aumento de libido, energia e massa muscular, mas podem provocar efeitos colaterais graves e irreversíveis, como alterações cardiovasculares, danos ao fígado, queda de cabelo, voz mais grossa, acne e aumento do clitóris.

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