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quinta-feira, maio 28, 2026

BRB altera regras e passa a permitir aportes parciais para aumento de capital

O Banco de Brasília (BRB) anunciou mudanças no processo de aumento de capital e passou a admitir aportes parciais de recursos, com homologações intermediárias de valores já internalizados. A medida vale até o limite de R$ 8,8 bilhões e depende de posterior autorização do Banco Central.

Até agora, a instituição precisava concluir todo o processo de captação para só então obter a aprovação final do BC. Com a alteração, os recursos poderão começar a produzir efeitos no capital do banco de forma gradual.

Em abril, os acionistas aprovaram a operação de aumento de capital, com possibilidade de emissão de ações ordinárias e preferenciais dentro do teto de R$ 8,81 bilhões. O preço de subscrição foi fixado em R$ 5,36 por ação. A expectativa é que o capital social saia de R$ 2,344 bilhões para, no mínimo, R$ 2,88 bilhões, podendo chegar a R$ 11,16 bilhões.

O BRB também prorrogou até 3 de junho o prazo para o exercício do direito de preferência na compra de novas ações por acionistas já existentes.

A mudança ocorre em meio à crise institucional enfrentada pelo banco, que foi alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. A investigação apontou um esquema de fraudes financeiras e indicou prejuízo bilionário ao BRB na compra de ativos do Banco Master.

O controlador do Master, Daniel Vorcaro, está preso desde março, sob investigação por fraudes financeiras. Os desdobramentos do caso levaram ao afastamento e à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de participação no esquema.

Ainda não há definição sobre o tamanho exato do prejuízo do BRB, porque o banco não entregou ao Banco Central suas atualizações contábeis periódicas e obrigatórias. O prazo legal venceu em 31 de março, após o atraso na divulgação das demonstrações financeiras. A estimativa é de que o rombo ultrapasse R$ 10 bilhões.

Paralelamente, o governo do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal para buscar apoio ao BRB. A gestão local tenta obter aval para contratar R$ 6,6 bilhões em empréstimos com o Fundo Garantidor de Crédito e pede que o Tesouro Nacional revise a nota de crédito do DF para viabilizar a operação.

O aumento de capital e a recomposição das contas são considerados necessários para que o banco cumpra as exigências regulatórias do Banco Central e siga funcionando após as irregularidades identificadas nas investigações. Em audiência recente no STF, o governo federal indicou que o DF deverá apresentar contragarantias para a operação. Se houver inadimplência, repasses dos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios poderão ser usados para cobertura das parcelas.

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