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terça-feira, junho 2, 2026

Acordo de Abraão, exigido por Trump, isola palestinos diante de Israel

Os acordos de Abraão, defendidos por Donald Trump como parte de sua estratégia diplomática para o Oriente Médio, podem ampliar o isolamento dos palestinos e abrir espaço para novos avanços territoriais de Israel na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.

Firmados no primeiro mandato de Trump, os pactos foram assinados por Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Sudão. Em 2025, o Cazaquistão também anunciou adesão. O objetivo é normalizar relações entre países árabes e Israel, sem que isso dependa de uma solução para a القضية palestina.

Agora, Trump voltou a cobrar que Arábia Saudita, Catar, Paquistão, Turquia, Egito e Jordânia se juntem ao acordo. A pressão ocorre no contexto das negociações com o Irã, que o ex-presidente passou a vincular à aceitação dos tratados.

Analistas afirmam que a medida enfraquece a posição palestina na região. Para eles, a lógica dos acordos desloca a questão da criação de um Estado palestino para segundo plano e reforça a ideia de que países árabes podem ampliar laços com Israel mesmo sem resolver o conflito.

A avaliação de especialistas é de que essa estratégia ajuda a tirar Israel do isolamento internacional, ao mesmo tempo em que reduz o apoio político árabe aos palestinos. Outro ponto destacado é que a política de normalização passou a priorizar interesses econômicos e preocupações de segurança, especialmente em relação ao Irã.

Paquistão foi o único país a rejeitar publicamente a exigência de Trump. Segundo as autoridades paquistanesas, não haveria obrigação de aceitar essa condição.

Ao comentar o cenário regional, especialistas lembram que o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 também foi interpretado por observadores como uma tentativa de frear negociações entre países árabes e Israel, sobretudo envolvendo a Arábia Saudita.

Nos últimos meses, organizações de direitos humanos vêm denunciando a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e ataques de colonos contra palestinos. Em resposta, a União Europeia aprovou sanções contra colonos israelenses, citando a ampliação ilegal dos assentamentos e a anexação de partes da Cisjordânia ocupada.

No caso de Gaza, o governo de Benjamin Netanyahu afirmou que pretende ampliar o controle sobre cerca de 70% do território. Atualmente, Israel reconhece ocupar 60% da Faixa de Gaza. A proposta foi criticada pela Alemanha, que sinalizou oposição a qualquer divisão permanente da região.

Também seguem em debate as propostas de integrantes do governo israelense favoráveis à emigração dos palestinos de Gaza e à anexação da Cisjordânia. Israel rejeita a criação de um Estado palestino independente, em desacordo com parâmetros do direito internacional baseados nas fronteiras de 1967.

A Nakba, termo usado pelos palestinos para se referir à criação de Israel em 1948, é lembrada como o início do deslocamento de cerca de 750 mil pessoas e da destruição de centenas de vilas palestinas. Esse episódio é considerado o marco da crise dos refugiados palestinos.

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