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quarta-feira, junho 3, 2026

Câncer pode ser prevenido, mas um em cada quatro brasileiros ainda não sabe disso

Um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido. O dado integra o relatório **Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer**, divulgado nesta quarta-feira (3).

O levantamento analisou como os brasileiros enxergam fatores associados à doença, como tabagismo, consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e sedentarismo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar **781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028**, alta de **10,9%** na comparação com o período anterior. O avanço está relacionado ao envelhecimento da população e aos hábitos de vida.

A pesquisa é a primeira de abrangência nacional a medir o conhecimento da população sobre prevenção do câncer. Foram ouvidas **6,5 mil pessoas** em todos os estados e no Distrito Federal. O estudo foi conduzido pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca.

Entre os fatores de risco mais reconhecidos, o tabagismo aparece no topo: **90,5%** dos entrevistados sabem que fumar causa câncer. Em seguida, surgem a herança genética, com **89,4%**, e a exposição solar excessiva, com **88,3%**.

Por outro lado, outros riscos ainda são pouco associados à doença. Menos da metade dos brasileiros, **48,3%**, relaciona a falta de atividade física ao câncer. O consumo de bebidas alcoólicas é apontado como fator de risco por **71,3%** da população. Já alimentos embutidos, como presunto e salsicha, foram citados por **70,7%**, e os ultraprocessados, como macarrão instantâneo, salgadinhos e sorvete, por **65,6%**.

O estudo também mostra que quatro em cada dez entrevistados desconhecem que o aleitamento materno ajuda a proteger contra o câncer de mama.

No caso do sobrepeso e da obesidade, apenas **54,1%** associam esses fatores ao câncer. A baixa ingestão de frutas e verduras é relacionada à doença por **53,3%** dos adultos, enquanto o consumo de bebidas adoçadas, como refrigerantes, por **55,3%**. A carne vermelha é reconhecida como fator de risco por **27,5%** dos brasileiros.

A pesquisa aponta ainda diferenças entre conhecimento e comportamento. Cerca de **45%** relataram consumir ultraprocessados e já ter tentado reduzir o uso. No caso das bebidas adoçadas, **53%** disseram consumi-las e tentar diminuir, enquanto **15%** afirmaram não ter intenção de cortar esse hábito. Em relação à carne vermelha, a maior parte declarou consumir o alimento sem buscar redução.

Entre os mais jovens, de até 24 anos, é mais comum o consumo desses produtos sem intenção de mudança: **32,3%** no caso dos ultraprocessados, **24,4%** para bebidas adoçadas, **29,5%** para embutidos e **49,1%** para carne vermelha. Também nesse grupo está a maior proporção de pessoas que bebem álcool e não pretendem reduzir o consumo: **16,9%**.

Sobre atividade física, **52,2%** disseram praticá-la e **39%** afirmaram que gostariam de começar. O conhecimento sobre a relação entre sedentarismo e câncer é maior entre pessoas com renda mais alta. Entre os que recebem até **R$ 2 mil**, o percentual de reconhecimento é menor do que entre os que ganham **R$ 10 mil ou mais**.

Na avaliação do Inca, os resultados ajudam a orientar políticas públicas e estratégias de comunicação para ampliar o conhecimento da população sobre prevenção. O estudo também reforça que informação isolada não basta: fatores como acesso a alimentos saudáveis, renda, preço e segurança para prática de exercícios influenciam diretamente as escolhas da população.

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