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segunda-feira, junho 15, 2026

Israel bombardeia o Líbano após anúncio de acordo entre Irã e Estados Unidos

Um ataque com drone israelense matou um motorista em Kfar Tebnit, no sul do Líbano, nesta segunda-feira (15), segundo informou a Agência Nacional de Notícias do país. A mesma localidade também foi alvo de ofensiva que feriu o jornalista libanês Hadi Abdel Moneim Hoteit.

De acordo com a agência estatal, o jornalista foi levado ao Hospital Najdeh Shaabia, em Nabatieh, onde passou por cirurgia na perna após ser atingido por estilhaços. A imprensa local também relatou a circulação de um drone israelense em baixa altitude sobre Beirute no mesmo dia.

Os ataques ocorreram poucas horas depois do anúncio de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, divulgado no domingo (14). A proposta incluiria um cessar-fogo no Líbano, uma das exigências de Teerã. A expectativa é de que um memorando de entendimento entre representantes dos dois países seja assinado na sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.

Até o momento, as autoridades israelenses não comentaram a ofensiva desta segunda-feira.

No mesmo dia, o Hezbollah afirmou ter atacado um comboio do Exército israelense na entrada de Kfar Tebnit, no mesmo ponto atingido pelos bombardeios. Segundo o grupo, a ação teria forçado a retirada das tropas israelenses após a aproximação de um trator e dois tanques Merkava vindos da área de Arnoun.

Apesar da sinalização de um possível avanço diplomático entre Washington e Teerã, o Exército do Líbano pediu que moradores do sul do país ainda não retornem às suas casas, citando o risco de violações do cessar-fogo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que não conhece os termos do entendimento em relação ao programa nuclear iraniano. Israel e Estados Unidos tratam o tema como o principal motivo para a ofensiva contra o Irã.

O Hezbollah também declarou apoio ao Irã após o anúncio do memorando com os EUA. O grupo classificou o entendimento como um passo em direção à “libertação” da região e ao retorno de deslocados e prisioneiros.

A fase mais recente do conflito no Líbano começou em 2 de março deste ano e já deixou 3,7 mil mortos e 11,7 mil feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. A escalada tem relação direta com a guerra em Gaza, iniciada em 2023, quando o Hezbollah passou a lançar foguetes contra o norte de Israel em apoio aos palestinos.

Após mais de um ano de confrontos, Israel e Hezbollah chegaram a um cessar-fogo em novembro de 2024, depois da morte de lideranças importantes do grupo xiita. Mesmo assim, os ataques israelenses continuaram de forma periódica, e o Hezbollah voltou a disparar contra Israel após o início da guerra com o Irã.

O embate entre Israel e Hezbollah tem origem na década de 1980, período em que a milícia xiita surgiu como reação à invasão israelense no Líbano. O grupo foi expulso do país em 2000 e, ao longo dos anos, passou também a integrar a política libanesa. O Líbano voltou a ser alvo de ataques de Israel em 2006, 2009 e 2011.

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