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sábado, junho 20, 2026

SUS amplia teleatendimento para jogadores compulsivos devido à alta demanda

O Ministério da Saúde pretende ampliar ainda este ano o atendimento remoto a pessoas com problemas ligados à dependência em jogos de apostas. A estratégia inclui consultas por telefone e videochamadas, com reforço da estrutura já em funcionamento.

A expansão será feita por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), responsável pela contratação de empresas especializadas para aumentar a oferta do serviço gratuito.

O teleatendimento voltado a apostadores compulsivos foi lançado em março, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Em três meses, a plataforma já somava 6.912 usuários cadastrados.

A ampliação do programa deve exigir cerca de R$ 70 milhões até o fim do ano. O investimento faz parte de um conjunto de ações do ministério para prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com foco em danos relacionados às apostas.

A pasta também reservou R$ 6 milhões para uma pesquisa nacional inédita sobre os efeitos dos jogos de aposta na saúde da população. O estudo deve identificar os grupos mais vulneráveis e os principais riscos associados à prática, apoiando futuras políticas públicas no SUS.

Parte do financiamento virá da chamada destinação social das apostas esportivas, os chamados bets. Em 2025, o Ministério da Saúde recebeu R$ 45,7 milhões dessa fonte. O valor corresponde a 1% do Produto da Arrecadação gerado pelas empresas do setor e pelos apostadores.

Neste ano, a arrecadação total do setor chegou a R$ 4,5 bilhões. Os recursos foram distribuídos entre saúde, educação, turismo, esportes, segurança pública, seguridade social e outras áreas, conforme a Lei nº 14.790, de 2023.

Pela legislação, o repasse à saúde deve ser aplicado em ações de prevenção, controle e redução dos danos sociais provocados pelos jogos.

Ao ser questionado sobre os custos adicionais do SUS com a alta na procura por atendimento, o ministério informou que não consegue separar o gasto específico com esse público, já que os atendimentos são feitos dentro da estrutura da Raps, que somou cerca de R$ 2,5 bilhões em despesas apenas em 2025.

Atualmente, o acesso ao teleatendimento em saúde mental do SUS é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital. Depois do cadastro, o usuário pode entrar na plataforma com conta Gov.br e acessar o serviço gratuitamente.

O aplicativo também reúne informações sobre sinais de alerta, prevenção e impactos dos jogos na saúde mental, além de um autoteste validado por especialistas. Se o resultado indicar risco moderado ou alto, o usuário é encaminhado automaticamente para o teleatendimento.

Nos casos de risco menor, a orientação é buscar apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

A Ouvidoria do SUS também passou a oferecer orientação sobre o tema pelo telefone 136, por formulário, WhatsApp e chatbot no site do ministério.

A Organização Mundial da Saúde considera o problema do jogo uma condição associada a prejuízos à saúde mental, com relação direta a ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e maior risco de suicídio e autolesão.

No Brasil, os atendimentos do SUS relacionados a jogo patológico e mania de jogo e aposta cresceram 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025. Foram 10.553 registros no período, sendo 4.316 ambulatoriais e 6.237 na atenção primária.

Os casos se concentram principalmente entre homens e pessoas de 20 a 49 anos. Especialistas, porém, também têm observado avanço entre jovens.

Nos últimos meses, o governo lançou outras medidas de enfrentamento ao problema. Em dezembro de 2025, foi criada a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite ao usuário bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados no país. Até o fim de maio, mais de 500 mil pessoas haviam usado a ferramenta.

Em janeiro, o Ministério da Saúde publicou um guia de cuidados para orientar o acolhimento e o tratamento de pessoas afetadas por jogos de aposta.

Na sexta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto para ampliar o combate ao mercado ilegal de apostas. Entre as medidas, o texto prevê que recursos apreendidos de operações ilegais possam ser destinados ao enfrentamento do crime organizado.

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