Mulheres de Mato Grosso do Sul vêm ampliando sua presença em áreas historicamente dominadas por homens, como segurança pública, transporte, construção civil e serviços. Apesar dos avanços, a participação feminina na política ainda segue distante da realidade da população e do eleitorado.
Em Dourados, a tenente-coronel Gabriella Fernandes entrou para a história ao se tornar a primeira mulher a comandar o batalhão da Polícia Militar do município. Ela continua sendo a única mulher no comando de um batalhão da PM no interior de Mato Grosso do Sul.
Outra rotina que rompe estereótipos é a de Kátia Regina de Souza, que trabalha há 13 anos como motorista de ônibus. Ela inicia o expediente de madrugada, antes das ruas da cidade ganharem movimento.
No campo dos serviços, Rosana Mezari encontrou na atividade conhecida como “marida de aluguel” uma forma de sustentar a família. Já na construção civil, Lucilene, de 43 anos, enfrenta diariamente resistências e preconceitos, mas permanece no setor.
Enquanto essas trajetórias mostram a presença feminina em diferentes funções, a política ainda concentra desigualdades. Em Mato Grosso do Sul, apenas três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa são ocupadas por mulheres, o equivalente a 12,5% do total.
Desde a criação do Estado, somente 11 mulheres foram eleitas deputadas estaduais. Em alguns períodos, a Casa chegou a ser composta exclusivamente por homens. O cenário também se repete em outros cargos: o Estado nunca elegeu uma governadora e teve apenas duas mulheres no Senado.
Nas eleições de 2024, houve avanço com a eleição de 13 prefeitas entre os 79 municípios sul-mato-grossenses. Ainda assim, a presença feminina nos cargos eletivos continua pequena.
A deputada estadual Lia Nogueira, do PSDB, afirma que ampliar a participação das mulheres é essencial para fortalecer a representatividade e a democracia. Já a ex-senadora Marisa Serrano, uma das pioneiras na política local, avalia que o ambiente político ainda impõe barreiras, especialmente pelo nível de confronto e pela falta de respeito em parte dos embates.
A baixa presença feminina nos espaços de decisão afeta temas centrais do cotidiano, como saúde, educação, segurança, transporte, emprego, combate à violência contra a mulher e desenvolvimento econômico. Quanto maior a participação das mulheres, maior também a diversidade de perspectivas na formulação de políticas públicas.




