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sexta-feira, julho 3, 2026

Governo amplia SUS com 760 profissionais de enfermagem obstétrica

O Ministério da Saúde vai ampliar a presença de profissionais especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) com a formação de 760 enfermeiros obstétricos por meio da Rede Alyne. O curso de Especialização em Enfermagem Obstétrica começou em novembro de 2025 e é voltado a profissionais com ao menos um ano de experiência no atendimento à saúde da mulher na rede pública.

A iniciativa prevê investimento de R$ 17 milhões e tem como objetivo reforçar a assistência obstétrica e neonatal em todo o país. Hoje, o Brasil conta com cerca de 13 mil enfermeiros obstétricos registrados, número considerado insuficiente diante da demanda nacional.

A formação é coordenada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com 38 instituições e apoio da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo).

Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas 46% desses profissionais têm vínculo com estabelecimentos cadastrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). A baixa oferta de especialistas é um dos fatores que dificultam a expansão de um modelo de atenção mais qualificado no pré-natal, no parto e no pós-parto.

A comparação internacional também evidencia a carência. Em países onde a enfermagem obstétrica tem papel central na assistência ao parto, a densidade desses profissionais varia entre 25 e 68 por 1 mil nascidos vivos. No Brasil, segundo dados da Abenfo de 2023, são cerca de cinco por 1 mil nascidos vivos.

O enfermeiro obstétrico atua no acompanhamento da gestação, no parto e no puerpério, além de prestar assistência ao recém-nascido e colaborar com equipes médicas para garantir atendimento seguro. A atuação desses profissionais é associada a partos com menos intervenções e mais humanização.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a ampliação dessa mão de obra pode ajudar a reduzir a dependência de cesáreas e melhorar a assistência às mulheres no SUS. Também destacam que a presença desses profissionais favorece o parto fisiológico, com menos procedimentos desnecessários.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde afirma que a rede de maternidades já conta com enfermagem obstétrica em todas as unidades da capital. Em algumas regiões do interior, porém, há dificuldades para manter equipes com experiência prática suficiente para a assistência direta ao parto.

A rede municipal do Rio tem 13 maternidades e uma Casa de Parto, todas com presença de enfermagem obstétrica. Em unidades da Baixada Fluminense, como o Hospital da Mãe, em Mesquita, mais de 70% dos partos normais são conduzidos por enfermeiras obstétricas.

A experiência de usuárias também reforça a importância da especialidade. Em um dos casos citados, uma gestante acompanhada por enfermeira obstétrica conseguiu realizar parto normal com segurança após orientação durante a gestação, no parto e no pós-parto.

A Rede Alyne foi lançada em setembro de 2024 pelo governo federal como uma reformulação da antiga Rede Cegonha. O programa busca reduzir em 25% a mortalidade materna até 2027 e diminuir em 50% a mortalidade materna de mulheres negras no mesmo período.

A iniciativa foi batizada em homenagem a Alyne Pimentel, jovem negra que morreu aos 28 anos durante a gestação, em um caso de negligência médica que teve repercussão internacional. O governo apresenta a rede como uma estratégia para ampliar o acesso a cuidado humanizado, qualificado e mais seguro para gestantes, puérperas e recém-nascidos.

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