Com pouco mais de 20 mil habitantes, Serro, na Região Central de Minas Gerais, preserva um ritmo de vida marcado pela história iniciada há mais de 300 anos. O município surgiu a partir da exploração do ouro e mantém até hoje traços importantes desse período colonial.
Segundo registros históricos, a área era chamada pelos indígenas de Ibitirui, expressão associada à ideia de serras e ventos frios. O nome Serro teria derivado dessa denominação. A primeira descoberta de ouro na região é atribuída a Jacinta Siqueira, mulher negra vinda da Bahia, que encontrou as primeiras partículas do metal no córrego Quatro Vinténs, local que se tornou referência na formação da cidade.
A ocupação portuguesa deixou marcas profundas no município. Entre elas está o queijo Minas artesanal, produzido com leite cru e pingo, técnica trazida pelos colonizadores e mantida ao longo dos séculos. A influência africana também é parte essencial da identidade local, visível nas manifestações culturais ligadas ao congado, como catopês, marujos e caboclos, presentes na cidade desde o início do século 18.
Com o enfraquecimento da atividade mineradora, Serro passou a viver da agricultura e do comércio de produtos do campo. Nesse cenário, o transporte por tropas de muares e burros se tornou fundamental para a circulação de mercadorias. A tradição do tropeirismo segue viva em celebrações e encontros que resgatam esse modo de vida.
Uma dessas manifestações reúne tropeiros e animais em um percurso pelas ruas da cidade até o centro histórico, acompanhado de rezas e cânticos em homenagem a Santa Rita, considerada padroeira dos tropeiros. A prática reforça o vínculo entre a cultura caipira, a produção do queijo e a memória histórica do município.




