# Associação marroquina atribui crise migratória a problemas sociais e econômicos
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) responsabilizou o Estado marroquino pelo aumento do fluxo de migrantes em direção a Ceuta e Melilla, cidades espanholas localizadas no Norte da África.
Segundo dados do governo de Ceuta, mais de 50 mil pessoas tentaram seguir para os enclaves espanhóis, e quase 100 morreram durante o percurso.
Em documento aprovado por seu Bureau Central, a AMDH relacionou o movimento migratório à falta de oportunidades, à desigualdade social e às dificuldades enfrentadas principalmente pela população jovem. A entidade também apontou problemas na distribuição de riqueza e no acesso a recursos no país.
A organização condenou o uso da crise migratória em disputas políticas e diplomáticas envolvendo Marrocos, Espanha e outros países europeus. A associação ainda criticou a ausência de posicionamentos de instituições estatais diante da situação.
O avanço de discursos contra imigrantes na Europa e nos Estados Unidos também foi citado pela entidade, em referência ao fortalecimento de grupos de extrema direita e ao aumento da hostilidade contra estrangeiros.
Marrocos é uma monarquia constitucional e parlamentar liderada pelo rei Mohammed VI, integrante da dinastia alauíta. O monarca, que completou 27 anos no trono em 29 de julho, comanda as Forças Armadas e ocupa posição central na política nacional.
Apesar de investimentos em infraestrutura, energia renovável e nos setores automotivo e aeronáutico, o país ainda enfrenta obstáculos relacionados ao desemprego juvenil, ao custo de vida e ao acesso a serviços públicos.
Dados das Nações Unidas mostram que Marrocos registrou Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,71 em 2023, classificação considerada de alto desenvolvimento humano. O país ficou na 120ª posição entre 193 nações e territórios e ocupou o décimo lugar no continente africano.
Em 2022, a taxa de desemprego entre marroquinos de 15 a 24 anos era de 24,9%.
Em mensagem divulgada durante as celebrações de seu aniversário no trono, Mohammed VI destacou indicadores econômicos do país, incluindo crescimento estimado de 4,9% do Produto Interno Bruto em 2025. Marrocos também se consolidou como o maior exportador de veículos da África, com capacidade anual próxima de 1 milhão de automóveis.
Os setores automotivo e aeroespacial passaram a representar mais de 40% das exportações marroquinas, superando a participação da indústria de fosfato.




