Agosto Lilás alerta para 21 feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul

# Agosto Lilás reforça combate à violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul registrou 21 mulheres mortas por companheiros, namorados, noivos ou maridos entre janeiro e agosto de 2026. Os dados são do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), divulgados em 6 de agosto.

O cenário coloca o Estado entre os que apresentam índices elevados de violência de gênero no país. Em 2025, foram 128 ocorrências de feminicídio consumado ou tentado: 39 mulheres morreram e 89 sobreviveram às agressões. Entre os casos analisados no período, 91,5% das vítimas não tinham medida protetiva.

A discussão ganha força durante o Agosto Lilás, campanha nacional de prevenção e enfrentamento da violência doméstica e familiar. Em Mato Grosso do Sul, a mobilização foi instituída pela Lei Estadual nº 4.969, de 2016, e prevê ações de conscientização, divulgação da Lei Maria da Penha e orientação sobre os serviços disponíveis à população.

A programação também inclui o projeto Maria da Penha Vai à Escola, com atividades educativas voltadas a estudantes.

## Violência doméstica mantém números elevados

Entre 1º de janeiro e 1º de agosto deste ano, o Estado contabilizou 12.245 vítimas de violência doméstica, média de 57,5 registros diários ou cerca de 2,4 por hora. No mesmo intervalo de 2025, foram 12.608 vítimas, equivalente a 59,2 casos por dia.

Uma das ocorrências mais recentes foi registrada em Rio Verde de Mato Grosso, município a 203 quilômetros de Campo Grande. Nathália Rodrigues Nogueira, de 26 anos, foi morta a facadas na madrugada de 6 de agosto. O marido dela era procurado pelas autoridades até o fechamento da reportagem.

Outro caso citado nos dados é o da jornalista Vanessa Ricarte, morta em 12 de fevereiro de 2025, em Campo Grande. Ela foi atingida por três facadas em sua residência, no bairro São Francisco. No mesmo dia, havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para denunciar o ex-companheiro e solicitar medida protetiva.

## Ações de prevenção e atendimento

Durante o Agosto Lilás, Mato Grosso do Sul prevê ao menos 11 iniciativas, entre seminários, capacitações, atendimentos itinerantes, mobilizações sociais e ações integradas em diferentes regiões.

Uma das estratégias é o Ônibus Lilás, que oferece informações, orientações e acesso a serviços públicos para mulheres de áreas urbanas e rurais, assentamentos, comunidades quilombolas, aldeias indígenas e localidades de difícil acesso.

Estão previstas atividades em municípios como Sidrolândia, Paranaíba, Batayporã e São Gabriel do Oeste.

## Violência psicológica

Além das agressões físicas, a violência contra a mulher pode se manifestar de maneira psicológica. Esse tipo de violência envolve atitudes que provocam danos emocionais, reduzem a autoestima ou buscam controlar comportamentos, decisões, crenças e relações pessoais.

Manipulação, ameaças, humilhações, isolamento e vigilância constante estão entre as práticas associadas a essa forma de agressão.

No Estado, a Lei nº 6.203, de 2024, estabelece medidas de fortalecimento da saúde mental e de combate à violência psicológica entre mulheres. A norma também criou a Semana de Conscientização sobre a Violência Psicológica entre Mulheres no calendário oficial de eventos de Mato Grosso do Sul.

A legislação prevê campanhas educativas, iniciativas de promoção do equilíbrio emocional e ações contra práticas discriminatórias e constrangedoras.

## Publicações infantis abordam o tema

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul desenvolveu dois livros infantis que tratam de formas menos visíveis de violência e desigualdade de gênero. As obras integram a coleção “Cidadania é o Bicho”, produzida pela Comunicação Institucional da Casa.

“Iguana Calada: Uma História de Superação e Liberdade”, de Glaucia Jandre, utiliza uma narrativa metafórica para abordar o silenciamento e a violência sofrida por mulheres em relacionamentos.

Já “A Descoberta da Oncinha de Laço Apertado”, de Ana Maria Assis de Oliveira, apresenta reflexões sobre imposições sociais relacionadas aos papéis atribuídos a homens e mulheres.

A Assembleia também mantém a página multimídia “ALEMS e Elas”, com legislação estadual de proteção às mulheres, dados estatísticos, informações sobre parlamentares e conteúdos sobre personalidades femininas de Mato Grosso do Sul.

## Onde buscar ajuda

Em casos de violência contra a mulher, denúncias e informações podem ser feitas pelo telefone 180.

A Patrulha Maria da Penha atende pelo número 153.

Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, Lote A, Quadra 2, no Jardim Imá. O telefone é 2020-1300.

O Centro Especializado de Atendimento à Mulher em Situação de Violência funciona na Rua Piratininga, 559, Jardim dos Estados, e atende pelo 0800-067-1236.

O Ministério Público disponibiliza atendimento pelo WhatsApp (67) 99825-0096 e pelo telefone 3318-3970, da 72ª Promotoria de Justiça da Casa da Mulher Brasileira.

A Defensoria Pública atende pelo WhatsApp (67) 99247-3968. O Núcleo de Defesa da Mulher pode ser contatado pelo telefone (67) 3313-4919.

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