**Dólar cai abaixo de R$ 5,20 e Ibovespa encerra sequência de perdas**
O dólar fechou em queda nesta quarta-feira, enquanto o Ibovespa avançou após o Tesouro dos Estados Unidos sinalizar a ampliação de operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. A medida reduziu a pressão sobre os rendimentos dos Treasuries e aumentou a procura global por ativos de maior risco.
A moeda americana recuou 0,86% no mercado à vista, cotada a R$ 5,177. Foi o primeiro fechamento abaixo de R$ 5,20 em três sessões. Durante a manhã, o dólar chegou a ser negociado perto de R$ 5,15.
No pregão anterior, a cotação havia terminado em R$ 5,22, maior patamar desde 30 de março. Mesmo com a baixa do dia, a divisa ainda acumula valorização de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto. Em julho, havia registrado queda de 1,79%.
No exterior, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,87% no fim da tarde, para 98,793 pontos.
O movimento ocorreu após o Tesouro americano informar que poderá dobrar o valor de determinadas recompras de títulos com vencimento entre 10 e 30 anos. As operações estão previstas para ocorrer de 9 de setembro a 4 de novembro, com volume mínimo de US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente.
A iniciativa contribuiu para reduzir os juros dos títulos públicos de longo prazo nos Estados Unidos. Com rendimentos menores nesses papéis, investidores passaram a direcionar parte dos recursos para mercados emergentes e outros ativos considerados mais arriscados.
Na Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa subiu 0,90% e terminou o dia aos 167.830,27 pontos. O avanço interrompeu uma série de 11 quedas consecutivas, a mais extensa desde 2023. Nesse período, o índice havia acumulado perda de 6,55%.
Durante a sessão, o principal indicador da B3 chegou a superar os 170 mil pontos, alcançando máxima de 170.340,60 pontos. Depois, perdeu força e registrou mínima de 166.334,73 pontos.
A recuperação foi apoiada principalmente por papéis de empresas ligadas aos setores de petróleo, mineração e bancos, que têm peso relevante na composição do índice.
A ata da reunião de julho do Federal Reserve também esteve no foco do mercado. O documento apontou preocupação dos dirigentes do banco central americano com a inflação e indicou que parte dos integrantes considerava possível elevar os juros caso a inflação não se aproxime da meta de 2%.
Apesar do alívio externo, o mercado brasileiro segue sensível a fatores internos, entre eles o patamar elevado da taxa de juros, as incertezas eleitorais e a saída de recursos estrangeiros. Até 17 de agosto, o saldo de investimentos externos na bolsa brasileira era negativo em R$ 18,6 bilhões.




