# Pesquisa aponta desigualdades na inserção de jovens no mercado de trabalho
A formalização do trabalho entre brasileiros de 16 a 29 anos apresenta diferenças relevantes conforme renda, região, raça e escolaridade, segundo a pesquisa *Juventudes e o Mundo do Trabalho*. O estudo foi realizado pela Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva.
Divulgado durante o evento Trampos do Futuro, em São Paulo, o levantamento ouviu 1.816 jovens de todas as regiões do país entre 11 e 23 de maio.
Entre os 70% dos entrevistados que declararam estar empregados, 44% trabalham com carteira assinada. Outros 15% são assalariados sem registro, 13% atuam como autônomos ou freelancers, 10% exercem atividades informais e 8% são estagiários ou aprendizes remunerados.
A procura por emprego também é expressiva: 20% dos jovens disseram estar buscando trabalho no momento da pesquisa. Nos seis meses anteriores, esse percentual chegou a 29%, enquanto 61% afirmaram ter procurado uma nova oportunidade ao longo do último ano.
## Diferenças por renda, região e raça
A presença em empregos formais é maior entre jovens das classes A e B, que representam 43% dos trabalhadores com carteira assinada. Nas classes D e E, o índice é de 35%.
Em contrapartida, o trabalho sem registro alcança 21% dos jovens de menor renda, ante 13% entre os integrantes das classes A e B.
Regionalmente, Sul e Sudeste registram as maiores taxas de formalização, de 58% e 55%, respectivamente. No Norte, o percentual é de 29%; no Nordeste, de 20%.
Entre os jovens brancos, 49% têm emprego formal, contra 41% dos jovens negros. Os chamados bicos informais são a fonte de renda de 12% dos negros e de 5% dos brancos.
A escolaridade também tem impacto. Entre aqueles que estudaram apenas até o ensino fundamental, 34% realizam bicos. Para quem tem ensino superior, a proporção cai para 3%.
## Experiência e indicação influenciam acesso a vagas
A falta de experiência profissional foi apontada por 49% dos entrevistados como o principal obstáculo para conseguir emprego. A concorrência por uma mesma vaga apareceu em seguida, mencionada por 39%.
Quase todos os jovens consultados, 96%, consideram que conhecer alguém dentro de uma empresa ou receber indicação de parentes e amigos facilita a entrada no mercado. O emprego atual de 77% dos participantes foi obtido por indicação. Entre os jovens de 25 a 29 anos, esse índice chega a 81%.
A influência das indicações é mais percebida entre os integrantes das classes A e B: 32% consideram esse fator decisivo, ante 16% nas classes D e E.
## Preferência por autonomia cresce no longo prazo
Atualmente, 30% dos jovens afirmam preferir um emprego com carteira assinada. Quando projetam os próximos cinco anos, porém, essa preferência diminui para 16%.
No mesmo período, a intenção de trabalhar por conta própria sobe de 28% para 42%. O interesse pelo trabalho autônomo é maior entre jovens com filhos, com 50%; moradores do Sul, 49%; do Centro-Oeste, 48%; e do interior, 45%. Entre os jovens brancos, o percentual é de 45%.
O desejo por vínculos formais tende a ser mais frequente entre pessoas das classes D e E, com 23%, jovens que estudaram até o ensino fundamental, 22%, e negros, 18%.
A pesquisa também identificou expectativas positivas para os próximos anos. Para 91%, a situação financeira deverá melhorar em cinco anos. Outros 88% acreditam que terão condições financeiras superiores às de seus pais e avaliam que é necessário estudar mais para obter um bom trabalho. Já 46% esperam encontrar uma boa oportunidade profissional no futuro.
Saúde é a área mais desejada para atuação futura, citada por 25% dos participantes. Tecnologia aparece em segundo lugar, com 22%, seguida por comércio e administração, ambos com 19%. Educação foi mencionada por 16%, beleza e estética por 14% e comunicação e redes sociais por 13%.
## Salário e ambiente de trabalho estão entre prioridades
O salário é o principal critério para a escolha de um emprego, segundo 64% dos jovens. Benefícios, plano de carreira e um ambiente de trabalho agradável foram citados por 31% cada.
Ao mesmo tempo, 62% afirmaram que aceitariam receber um pouco menos em troca de um ambiente mais saudável, com menor pressão e estresse.
Entre os entrevistados que trabalham ou já trabalharam, 69% disseram ter deixado um emprego por decisão própria. Falta de respeito ou tratamento inadequado por lideranças foi o principal motivo, indicado por 43%.
Jornadas extensas ou acúmulo de funções foram mencionados por 36%, enquanto 32% relataram excesso de cobrança ou pressão por resultados. A ausência de perspectivas de crescimento ou plano de carreira foi citada por 28%, e 16% apontaram dificuldade para conciliar trabalho e estudo.
## Jovens acumulam estudo, emprego e tarefas domésticas
Dos entrevistados, 48% estudam e 39% apenas trabalham. Outros 32% conciliam emprego e estudos, enquanto 13% não estudam nem trabalham.
Metade dos jovens afirmou também ser responsável pelos cuidados com a casa. A proporção é maior entre mulheres, com 60%, ante 40% entre homens.
O cuidado com crianças, idosos ou outras pessoas também recai mais sobre as mulheres: 28% delas desempenham essa função, contra 14% dos homens.
Entre os jovens que estudam, 41% estão no ensino superior, 27% no ensino médio, 18% fazem cursos livres e 11% cursam ensino técnico.
Para 85%, um diploma universitário é importante para conseguir trabalho, índice que chega a 91% na Região Norte. Já 91% consideram que cursos técnicos e profissionalizantes representam um caminho mais rápido e eficiente para conquistar uma vaga.
Além disso, 60% defendem que programas voltados à inserção profissional priorizem formações práticas, e não apenas conteúdos teóricos.
## Inteligência artificial gera preocupação
Nove em cada dez jovens acreditam que a inteligência artificial eliminará muitas vagas de trabalho. Metade teme perder espaço profissional com o avanço das tecnologias.
O receio é maior entre quem tem ensino fundamental, com 62%; integrantes das classes D e E, 63%; jovens com filhos, 57%; e mulheres, 55%. Nas classes A e B, o percentual é de 39%.
Apesar da preocupação, 97% informaram usar inteligência artificial e internet para aprender e buscar desenvolvimento profissional.
O levantamento também destaca a Lei da Aprendizagem Profissional, que determina a contratação de aprendizes de 14 a 24 anos por empresas de médio e grande porte. A norma é apontada como um instrumento de inclusão e de acesso dos jovens à primeira experiência de trabalho.




