**Rádio Nacional do Rio completa trajetória iniciada em 1936**
A Rádio Nacional do Rio de Janeiro, identificada pela sigla PRE-8, iniciou suas transmissões em setembro de 1936. A emissora surgiu em um período de expansão do rádio no Brasil, meio de comunicação que alcançava públicos de diferentes regiões e classes sociais em um país com elevados índices de analfabetismo.
A origem da rádio está ligada ao grupo de comunicação A Noite, responsável por um jornal de mesmo nome que circulava na então capital federal. O grupo também ocupava um edifício de 22 andares no centro do Rio, considerado o primeiro arranha-céu da América Latina.
Em 1931, após enfrentar dificuldades financeiras e divergências com o governo de Getúlio Vargas, o grupo A Noite foi vendido à Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Entre os ativos adquiridos estava uma concessão para operar uma emissora de rádio.
Dois anos depois, foi criada a Sociedade Civil Brasileira Rádio Nacional. Em 1936, a empresa comprou um transmissor de 20 quilowatts que havia pertencido à extinta Rádio Philips, com o objetivo de disputar espaço entre as principais emissoras do país.
Para estruturar a programação, a PRE-8 reuniu artistas e profissionais como Orlando Silva, Aracy de Almeida, Celso Guimarães, Ismênia dos Santos, Oduvaldo Cozzi e Radamés Gnattali. A divulgação da estreia incluiu o lançamento de panfletos sobre a cidade do Rio por um avião.
Nos primeiros anos, porém, o alcance limitado dos transmissores dificultou a expansão da audiência e a comercialização de publicidade. A situação mudou a partir de 1940, quando o governo federal incorporou a Rádio Nacional e as demais empresas do grupo A Noite ao patrimônio da União.
Após a encampação, Gilberto de Andrade assumiu a administração da emissora e promoveu uma reestruturação. O elenco foi ampliado, foram adotados métodos de medição de audiência e a rádio passou a investir em transmissões de ondas curtas.
Em 1942, a instalação de cinco antenas permitiu que o sinal chegasse a praticamente todo o território brasileiro e também a países das Américas, Europa, África e Ásia. A expansão colocou a Rádio Nacional entre as grandes emissoras do mundo naquele período.
No mesmo ano, os estúdios foram reformados e ganharam um auditório com capacidade para quase 500 pessoas. O local recebeu apresentações musicais, concursos e programas de calouros, aproximando a emissora de seu público.
A Rádio Nacional já produzia atrações de sucesso desde 1938, incluindo programas comandados pelo radialista Almirante. Posteriormente, nomes como César de Alencar e Paulo Gracindo ajudaram a atrair multidões ao edifício de A Noite.
A programação reuniu música, humor, radiodramaturgia, esporte, concursos e publicidade. A emissora também manteve produções de maior custo, como uma orquestra sinfônica com cerca de 120 músicos, sem restringir a grade exclusivamente a critérios de rentabilidade.




