**AfD lidera eleição na Saxônia-Anhalt, apontam pesquisas de boca de urna**
O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt realizadas neste domingo (6), segundo pesquisas de boca de urna. A sigla obteve 44% dos votos, mas não alcançou maioria absoluta no Parlamento estadual.
O resultado representa uma derrota para os conservadores ligados ao chanceler Friedrich Merz e ocorre em meio à baixa popularidade da coalizão que governa a Alemanha. Dados da emissora ARD indicaram que 87% dos eleitores da Saxônia-Anhalt demonstravam insatisfação com o governo federal.
A participação eleitoral chegou a 77%, conforme a ZDF. A apuração ainda deixava indefinida a possibilidade de a AfD conseguir formar um governo no estado.
Caso assuma o comando estadual, será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que um partido classificado como de extrema direita chegará ao poder em um estado alemão.
A AfD foi fundada em 2013 e ampliou sua presença política nacional nos últimos anos. Pesquisa recente do instituto INSA aponta a legenda com 28% das intenções de voto em âmbito federal, à frente dos conservadores, que registram 20%.
A Saxônia-Anhalt, antigo território da Alemanha Oriental, tem pouco mais de 2 milhões de habitantes e está entre os menores estados do país. Mesmo assim, o resultado é visto como um indicador relevante do avanço eleitoral da AfD no leste alemão.
A legenda defende endurecimento das regras migratórias, retomada de relações com a Rússia, redução do apoio à Ucrânia e saída da Alemanha do euro. Entre suas propostas também estão mudanças no sistema público de radiodifusão, maior ênfase em valores tradicionais nas escolas e instituições culturais, segregação de filhos de refugiados em turmas específicas, proibição de bandeiras arco-íris em escolas e ampliação do ensino de russo.
O partido também propõe o hasteamento diário da bandeira alemã em unidades escolares, a execução do hino nacional em eventos escolares, a criação de patrulhas de cidadãos e a interrupção da construção de novos parques eólicos.
Os principais partidos alemães descartam acordos com a AfD, que foi classificada como extremista de direita pelo serviço de inteligência interna da Saxônia-Anhalt. A exceção é a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), pequeno partido que defendia a possibilidade de um governo liderado por um premiê sem filiação partidária e apoiado por maiorias variáveis no Parlamento, inclusive com votos da AfD.
Os conservadores devem buscar negociações com outras siglas para tentar formar uma alternativa de governo, embora a composição possa reunir partidos com posições políticas divergentes.




