Especialista destaca a importância do diagnóstico precoce da baixa visão infantil

# Baixa visão na infância pode afetar desenvolvimento motor, cognitivo e social

Alterações visuais na infância podem comprometer diversas etapas do desenvolvimento, com impactos que vão além do desempenho escolar. A baixa visão precoce pode influenciar a coordenação motora, a comunicação, a aprendizagem, a autonomia e a interação social das crianças.

O tema foi abordado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador e encerrado neste sábado (12). Especialistas destacaram que a identificação e o acompanhamento precoce são fundamentais para aproveitar a visão residual e desenvolver estratégias que ampliem a funcionalidade da criança no dia a dia.

A baixa visão infantil não se limita à redução da acuidade visual. A condição também pode dificultar a percepção do ambiente, a localização de objetos, o reconhecimento de pessoas e a participação em brincadeiras e outras atividades cotidianas.

Entre as principais causas estão retinopatias associadas a infecções como sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus, além de catarata congênita, glaucoma congênito, alterações no nervo óptico, albinismo, distrofias hereditárias da retina, miopia elevada e doenças neurológicas.

Também integram a lista de fatores relacionados à baixa visão a deficiência visual cortical ou cerebral e a prematuridade.

A avaliação deve considerar não apenas exames de acuidade visual, mas também a forma como a criança utiliza a visão disponível. O acompanhamento com a família ajuda a identificar se ela reconhece rostos, encontra objetos, brinca de forma independente e se adapta a diferentes níveis de iluminação.

Sinais como falta de acompanhamento visual de objetos, pouca fixação do olhar, aproximação excessiva de itens aos olhos, tropeços frequentes e dificuldade em locais escuros devem ser investigados. Sensibilidade intensa à luz, busca constante por claridade, dificuldade para reconhecer pessoas e objetos e atraso no desenvolvimento sem causa definida também podem indicar necessidade de avaliação oftalmológica.

O processo de habilitação pode envolver estimulação visual funcional, uso de recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, treinamento de orientação e mobilidade e acompanhamento de profissionais como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e pedagogos.

A orientação à família também é considerada parte essencial do cuidado. O objetivo é reduzir os efeitos da deficiência visual sobre o desenvolvimento global e ampliar as condições de autonomia da criança.

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