Pesquisadora destaca a importância da formação contínua para professores de ciências

# Estudo sobre ensino de Stem aponta necessidade de formação contínua de professores

A expansão do ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, na sigla em inglês) na educação básica depende de investimentos em infraestrutura e na formação contínua de professores. Essa é uma das conclusões do *Panorama da Educação Stem no Brasil*, que examinou iniciativas em Manaus, Belém, João Pessoa, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

O levantamento de 170 páginas foi organizado pela Fundação Carlos Chagas em parceria com o British Council. Além de equipamentos e acesso à internet, o estudo aponta a importância de suporte técnico e de condições para que a capacitação docente faça parte da jornada de trabalho. A distribuição desigual desses recursos entre regiões também aparece como um obstáculo.

Entre os desafios identificados estão a insegurança de professores no uso de tecnologias, a falta de profissionais com formação específica para determinadas disciplinas e a rotatividade docente. Em Manaus, o relatório registrou situações em que professores lecionam matérias fora de sua área de licenciatura. Em Curitiba, a troca frequente de docentes nos anos finais dificulta a continuidade de projetos escolares.

O panorama reuniu experiências das seis capitais. Em Manaus, jogos de tabuleiro e atividades sem dispositivos eletrônicos são usados no ensino de lógica de programação, enquanto centros de tecnologia educacional atendem escolas ribeirinhas por conexão via satélite. Em Belém, óculos de realidade virtual de baixo custo produzidos com fibra de miriti apoiam aulas de geometria.

João Pessoa investe em conectividade e em períodos intensivos de formação para o uso de tecnologia nas aulas. Em São Paulo, formadores atuam como multiplicadores nas diretorias de ensino, e a rede desenvolve iniciativas com instituições externas, entre elas a Universidade de Columbia. Curitiba utiliza os Faróis do Saber como espaços de aprendizagem prática, com impressoras 3D e cortadoras a laser, além de levar equipamentos às salas de aula por meio de um Farol Móvel.

No Rio de Janeiro, o estudo destaca os Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), criados em 2022 com uma proposta interdisciplinar. A rede municipal tem 317 unidades desse tipo e prevê chegar a 350 até o fim do ano, com atendimento a 150 mil estudantes.

No GET Ceará, em Inhaúma, na zona norte da cidade, as atividades integram as áreas de Stem às artes, abordagem conhecida como Steam. A escola dispõe de um laboratório de criação com impressoras 3D, placas de robótica, óculos de realidade virtual, máquinas de corte e computadores.

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