Primeiro de dezembro marca o Dia Mundial de Luta contra o HIV e o início do Dezembro Vermelho, mês de conscientização sobre HIV e aids. Campanhas ao redor do mundo procuram combater a desinformação, reduzir a discriminação e reforçar cuidados de saúde.
Dados globais mostram que 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV. Em 2024, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) registrou 1,3 milhão de novas infecções e estimou que 9,2 milhões de pessoas ainda não têm acesso ao tratamento. Agências internacionais alertam que décadas de progresso estão ameaçadas por interrupções de programas essenciais, cortes de financiamento, redução do apoio comunitário e leis punitivas que dificultam o acesso aos cuidados, principalmente para populações vulneráveis.
No Brasil, o Boletim Epidemiológico – HIV e Aids 2024, do Ministério da Saúde, indica 1.165.599 casos notificados entre 1980 e 2024. A média dos últimos cinco anos é de aproximadamente 36 mil novos casos por ano.
O governo brasileiro registra avanços, como a redução da mortalidade e a eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública, atribuídos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ao Programa Nacional de Combate à aids. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde aponta a necessidade de enfrentar desigualdades no acesso à prevenção e ao cuidado continuado.
Metas e compromissos
O Brasil é signatário da meta da Organização Mundial da Saúde de eliminar a aids como problema de saúde pública até 2030. O país adotou os objetivos conhecidos como 95-95-95: diagnosticar 95% das pessoas vivendo com HIV, tratar 95% das diagnosticadas e alcançar supressão viral em 95% das pessoas em tratamento (carga viral abaixo de 1.000 cópias/mL) até 2030.
Outros compromissos incluem a redução em 90% da taxa de incidência do HIV e na mortalidade por aids até 2030, em comparação com os índices de 2010.
Indicadores epidemiológicos
– Taxa de detecção de aids: 17,8 casos por 100 mil habitantes, com maior ocorrência entre 25 e 34 anos.
– Principal via de transmissão: sexual, responsável por 75,3% dos casos em indivíduos com 13 anos ou mais.
– Concentração de casos entre 25 e 39 anos, com predominância masculina (68,4%).
– Aumento de 33,9% nos casos em pessoas com mais de 60 anos entre 2015 e 2023 (de 2.216 para 2.968 casos).
Dados de 2023
– Foram notificados 46.495 casos de infecção pelo HIV no país, alta de 4,5% em relação a 2022.
– Daquele total, 63,2% referiam-se a pessoas que se autodeclararam negras (49,7% pardas e 13,5% pretas).
– Homens que fazem sexo com homens (HSH) representaram 53,6% dos casos.
Gestantes
Desde 2000, foram notificados 166.237 casos de HIV em gestantes. A taxa de detecção atingiu 3,3 casos por mil nascidos vivos em 2023, refletindo aumento de 33,2% na última década. Em 2023, os casos em gestantes foram mais frequentes entre as negras (53,1% pardas e 14,3% pretas) e entre mulheres de 20 a 29 anos (51,0%).
Óbitos
Em 2023, ocorreram 10.338 mortes por aids no Brasil. Destas, 63% foram entre pessoas negras (48,0% pardas e 15,0% pretas) e 34,9% entre pessoas brancas. A proporção por sexo indica aproximadamente 21 óbitos masculinos para cada 10 óbitos femininos.
As autoridades de saúde reforçam a importância da testagem, do acesso ao tratamento e de políticas que atendam de forma equitativa as populações mais vulneráveis para manter e ampliar os avanços no combate ao HIV.




