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sexta-feira, janeiro 16, 2026

Raio-X portátil amplia triagem e fortalece vigilância da tuberculose em unidades prisionais de Mato Grosso do Sul

O uso de raio‑x portátil tem ampliado a vigilância contra a tuberculose em Mato Grosso do Sul, com triagens realizadas diretamente dentro das unidades prisionais e diagnóstico mais ágil.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) integra o equipamento ao programa Mais Saúde Prisional em Foco. A tecnologia permite executar exames no próprio ambiente dos privados de liberdade, sem necessidade de deslocamento, o que aumenta a rapidez e o alcance das ações de saúde.

Em outubro, o Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande, recebeu ação integrada com oferta de testes rápidos para hepatites B e C, HIV e sífilis, consultas médicas e odontológicas, vacinação e cadastro em prontuário eletrônico. O raio‑x portátil, empregado em outras fases do programa, permanece como ferramenta-chave para avaliações específicas de tuberculose, possibilitando exames em poucos minutos.

O projeto Tuberculose nas Prisões, coordenado por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e em cooperação com a SES, tem mais de uma década de atuação. Iniciado em Dourados com triagem em massa, o trabalho foi ampliado após obtenção de financiamentos, o que permitiu realizar ações em diversas unidades desde 2012 e, em 2017, implantar uma unidade móvel de diagnóstico. Ao longo do projeto, SES e equipe de pesquisa acumularam evidências sobre a dinâmica de transmissão da tuberculose em ambientes prisionais.

Pesquisas desenvolvidas no âmbito da iniciativa indicam que o risco de contágio em prisões pode ser muito superior ao observado em outros grupos vulneráveis. Fatores que contribuem para essa maior vulnerabilidade incluem aglomeração, baixa escolaridade, desnutrição e uso de tabaco, álcool e outras drogas.

Desde 2023, o estudo adota vigilância longitudinal, acompanhando internos mesmo após progressão de regime ou retorno à comunidade, com o objetivo de identificar quando a doença se manifesta e como evolui.

O aparelho portátil, descrito como compacto o suficiente para ser transportado em uma mala, permite radiografias dentro de celas, solários e corredores, posicionando a placa de um lado da grade e o emissor do outro. Equipes já realizaram até 150 radiografias em um único dia, reduzindo a necessidade de deslocamento de detentos e a mobilização de grandes equipes para triagem em massa.

Além da radiografia, todos os internos submetidos à triagem realizam coleta de escarro. As amostras são analisadas pelo LACEN e pela UFMS por meio de testes de alta sensibilidade, com resultados em geral entre 2 e 4 horas.

Mapeamentos recentes apontaram maior incidência de tuberculose no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) e no Instituto Penal Jair Ferreira de Carvalho (Máxima), unidades que juntas abrigam cerca de 4.500 internos. As triagens realizadas nessas unidades identificaram número elevado de casos, que seguem em acompanhamento e tratamento pelas equipes de saúde local.

O projeto também acompanha participantes em outras unidades do Estado, como as unidades de Gameleiras, o Patronato e o complexo do Noroeste, monitorando desde 2023 os internos incluídos na pesquisa, inclusive novos ingressantes.

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