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quinta-feira, janeiro 15, 2026

Mulheres com dependência de álcool pedem atenção especial das políticas públicas

Mais de 7% das mulheres adultas no Brasil têm diagnóstico de alcoolismo. Nesta semana, o presidente sancionou a Lei 15.281, que estabelece promoção de assistência multiprofissional específica para mulheres usuárias e dependentes de álcool.

O caso de uma moradora de Curitiba, identificada como Lúcia*, ilustra como a dependência pode agravar vulnerabilidades: ela buscou apoio em grupos de recuperação e só passou a compreender que havia sofrido abusos sexuais pelo marido durante o processo de tratamento.

Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) apontam crescimento das mortes associadas ao consumo de álcool entre mulheres em 27% no período de 2010 a 2023. Segundo a entidade, cerca de 70% desses óbitos ocorreram entre mulheres pretas e pardas, evidenciando recortes de gênero e raça na mortalidade relacionada ao álcool.

Há também diferenças biológicas que influenciam o impacto do álcool no organismo feminino. Mulheres tendem a ter menor proporção de água corporal e menor atividade de enzimas hepáticas responsáveis pela metabolização do álcool, o que faz com que quantidades menores da substância provoquem efeitos mais intensos. Além disso, fatores sociais — como acúmulo de responsabilidades domésticas e profissionais, estigmas e maior dificuldade em procurar ajuda — agravam o quadro e dificultam o acesso ao tratamento.

A legislação recém-sancionada pretende criar estrutura de atendimento multiprofissional destinada a esse público, sem detalhar ainda prazos e forma de implementação das medidas.

Organizações de apoio registram crescimento na demanda feminina. A iniciativa Colcha de Retalhos, vinculada ao Alcoólicos Anônimos (AA), contabilizou cerca de 6,5 mil contatos de mulheres pelos canais de ajuda. O AA informa aumento de 47,7% nas reuniões compostas exclusivamente por mulheres ao comparar períodos pré e pós-pandemia, com atualmente 65 encontros femininos semanais.

Especialistas e serviços defendem a oferta de espaços de acolhimento adaptados às especificidades das mulheres — incluindo atenção diferenciada para gestantes, lactantes, adolescentes e pessoas de diferentes contextos socioeconômicos — para assegurar diagnóstico precoce, tratamento adequado e proteção contra violência e violações.

Os nomes das mulheres foram alterados para preservar anonimato.

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