Consumo de álcool tende a subir em festas de fim de ano, aponta levantamento e alertas de saúde
O consumo de bebidas alcoólicas costuma aumentar durante as confraternizações e celebrações de fim de ano, situação que eleva os riscos à saúde física e mental e afeta as relações sociais.
Documentos recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que não existe nível seguro de consumo: qualquer quantidade de álcool pode provocar danos à saúde. Na prática, as festas de final de ano costumam registrar maior incidência de quedas, intoxicações e redução da supervisão de crianças em ambientes com adultos alcoolizados, com aumento de atendimentos pediátricos relacionados à ingestão acidental por menores.
Há ainda riscos associados à mistura do álcool com medicamentos, crescimento de episódios de agressividade, conflitos familiares e comportamentos de risco, como dirigir sob efeito de bebidas alcoólicas.
Para pessoas em tratamento por problemas com álcool, a temporada representa maior vulnerabilidade a recaídas, em função da maior oferta de bebidas e da normalização do consumo em eventos sociais. O uso do álcool como forma de enfrentar tristeza, ansiedade ou frustrações também pode agravar sintomas de ansiedade e depressão.
Preocupação com adolescentes
O 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado em setembro de 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra mudanças no padrão de consumo. Entre adultos, a proporção de quem bebe regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023. Em contraste, o consumo pesado (definido como 60 g ou mais em uma ocasião) aumentou entre adolescentes, passando de 28,8% em 2012 para 34,4% em 2023.
Por lei, adolescentes não devem consumir álcool, e o consumo na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento cerebral. Especialistas em saúde pública recomendam evitar a permissividade familiar que permite ou incentiva o consumo de menores dentro de casa.
Prevenção
Como medidas preventivas, autoridades e profissionais de saúde indicam maior vigilância em ambientes com crianças, mensagens claras de que o álcool não deve ser o foco das celebrações e presença familiar ativa para reduzir a exposição de adolescentes à bebida. Em casos de dependência ou risco de recaída, a orientação é buscar acompanhamento especializado.




