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domingo, janeiro 18, 2026

Mulheres veem o Natal como oportunidade para amenizar a saudade e reunir a família

Atravessar um mar de cadeiras e aguardar o embarque: esse foi o cenário encontrado por viajantes que lotavam a rodoviária de Brasília na véspera do Natal. Entre eles estava a diarista Maria dos Navegantes, 51 anos, moradora de Valparaíso de Goiás (GO), que partiu rumo a Frutal (MG), percorrendo mais de 700 km para passar a data com a filha e as netas.

A passagem de ida e volta para esse trajeto ultrapassou R$ 1 mil, valor que torna inviáveis viagens frequentes ao longo do ano. Maria embarcou com duas caixas e três malas, carregando presentes comprados ao longo dos meses em que não pôde visitar a família.

Levantamento do Instituto Locomotiva aponta que o Natal é a principal data de encontro familiar no Brasil. Segundo a pesquisa, 61% dos brasileiros afirmam estar sempre com a família nessa data e 32% dizem que isso ocorre às vezes. O estudo, realizado com mais de 4 mil pessoas acima de 18 anos, indica também que 68% dos entrevistados consideram importantes os rituais e as celebrações em família, e 75% associam a felicidade ao compartilhamento com entes queridos.

O recorte por gênero apontou participação feminina mais frequente em encontros familiares mensais: 65% das mulheres relatam presença regular, contra 58% dos homens.

Mudança de data por trabalho social

Em Brasília, a pedagoga Laíssa Macedo, 26 anos, antecipou a celebração natalina da família para o dia 21 de dezembro. A mudança ocorreu porque ela participará de uma ação missionária em Conceição da Paraíba (PB), a cerca de 2 mil km de distância, onde entregará materiais escolares e de higiene a comunidades em situação de vulnerabilidade. Laíssa tem previsão de retorno apenas no final de janeiro.

Uma colega da iniciativa, a cuidadora de idosos Rosiane Martins, 23 anos, também integrou a equipe que viaja para a missão. Rosiane tem seis irmãos e se despediu da família antes da partida.

Distâncias e rendas que dificultam reuniões

Dados adicionais da pesquisa encomendada pelo clube de benefícios Familhão mostram que 65% dos brasileiros declaram passar menos tempo com a família do que gostariam. Nove em cada dez entrevistados relatam ter parentes morando longe.

Na rodoviária, relatos de dificuldades financeiras estiveram presentes. A agricultora Adelina Maria de Jesus, 67 anos, viajava sem conseguir reunir os quatro filhos no Natal. Ela informou ter renda equivalente a um salário mínimo e disse que os filhos se dispersaram pelo país em busca de trabalho; duas filhas vivem em Águas Lindas de Goiás (GO). Adelina e o marido residem em um assentamento sem-terra em Rubiataba (GO), a mais de 400 km de distância, e não têm conseguido conviver com a família há mais de 15 anos.

Busca por convivência e tradição

Em Ituberá (BA), a diarista Joselita da Conceição, 51 anos, embarcou com a filha Josielle e dois netos para uma viagem de 19 horas até a cidade litorânea onde mora grande parte da família. O grupo pretende participar de uma ceia com cerca de 30 parentes, mantendo o encontro tradicional que favorece o convívio entre primos e gerações. Joselita relatou longos períodos de trabalho fora e a expectativa de voltar a ver o mar durante a viagem.

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