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quarta-feira, abril 29, 2026

Retrospectiva da temporada paralímpica: atletismo e judô brilham

O ano do esporte paralímpico brasileiro, primeiro do ciclo para os Jogos de Los Angeles-2028, teve marcas históricas em Mundiais e também tensão nos bastidores envolvendo a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) e atletas sobre exigências relativas ao Bolsa Atleta.

A temporada começou com otimismo. Em fevereiro, Cristian Ribera, de Rondônia, sagrou-se campeão mundial de esqui cross-country na prova de sprint (1 km), em Trondheim (Noruega). O resultado reforça sua condição de principal esperança do Brasil para a Paralimpíada de Inverno de Milão-Cortina (março de 2026).

Em maio, na Copa do Mundo de tênis em cadeira de rodas, em Antalya (Turquia), a seleção brasileira da classe quad alcançou a final pela primeira vez e ficou com a prata, atrás da Holanda. Na categoria júnior, a equipe terminou em quarto, com destaque para os mineiros Vitória Miranda e Luiz Calixto.

Vitória e Luiz também se destacaram nos Grand Slams. Vitória faturou títulos de simples e de duplas femininas (parceria com a belga Luna Gryp) no Aberto da Austrália e em Roland Garros. Luiz conquistou o título de duplas masculinas no Aberto da Austrália, ao lado do norte-americano Charlie Cooper. Ambos disputaram seu último ano entre os juniores.

O Mundial de judô, em maio, em Astana (Cazaquistão), teve o Brasil no topo do quadro de medalhas pela primeira vez. A delegação subiu ao pódio 13 vezes, sendo cinco ouros. Entre os títulos, Alana Maldonado (categoria até 70 kg, classe J2) voltou a ser tricampeã, e Wilians Araújo (acima de 95 kg, classe J1) ficou bicampeão. A final acima de 70 kg da classe J2 foi disputada por duas judocas brasileiras, com vitória de Rebeca Silva. Outros ouros inéditos vieram com Brenda Freitas (até 70 kg, classe J1) e Rosi Andrade (até 52 kg, classe J1).

No Mundial de canoagem, em Milão, o sul-mato-grossense Fernando Rufino garantiu o ouro nos 200 m da classe VL2, repetindo a dobradinha da final paralímpica de Paris-2024, com o paranaense Igor Tofalini em segundo. Ao todo, o Brasil somou cinco pódios na Itália.

Em agosto, no Mundial de ciclismo de estrada em Ronce (Bélgica), o paulista Lauro Chaman conquistou o tricampeonato na prova de resistência da classe C5. Em outubro, no Mundial de pista realizado no Velódromo do Rio de Janeiro, a equipe brasileira obteve nove medalhas. Entre os destaques, Sabrina Custódia, de São Paulo, venceu o contrarrelógio de 1 km da classe C2 e estabeleceu novo recorde.

O Mundial de natação, em setembro, em Singapura, teve disputa acirrada pelo topo do quadro de medalhas. A Itália liderou com 18 ouros. O Brasil ficou em sexto lugar, com 13 ouros e 39 pódios. Gabriel Araújo (classe S2) e Carol Santiago (S12) foram os maiores nomes brasileiros, com três títulos cada.

Em outubro, no Mundial de atletismo em Nova Déli (Índia), a seleção brasileira terminou em primeiro lugar no quadro de medalhas, com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, superando a China. Nas três edições anteriores, o país havia ficado em segundo. A velocista acreana Jerusa Geber conquistou seu quarto título mundial nos 100 m rasos da classe T11 (cego total), alcançando 13 pódios em Mundiais (sete ouros, cinco pratas e um bronze), ultrapassando o total de medalhas da mineira Terezinha Guilhermina na mesma categoria.

Também em outubro, no Mundial de halterofilismo, a equipe feminina do Brasil faturou a medalha de ouro por equipes. Tayana Medeiros (Rio), Lara Lima (Minas Gerais) e Mariana d’Andrea (São Paulo) integraram o time que foi ao pódio no Cairo (Egito) nas disputas individuais: Mariana e Tayana conquistaram prata nas categorias até 73 kg e até 86 kg, respectivamente, e Lara levou o bronze até 41 kg.

Apesar de o Mundial de tênis de mesa ocorrer apenas em 2026, a modalidade ganhou destaque por questões administrativas. Em julho, nove atletas, detentores de 16 medalhas paralímpicas no total, encaminharam ofício ao Ministério do Esporte relatando insatisfação com medidas da CBTM. Entre as reclamações estava a exigência, imposta pela confederação, de destinar entre 30% e 60% do Bolsa-Pódio para custear participação em competições internacionais e a obrigatoriedade de incluir ao menos dez eventos no exterior no planejamento anual para aprovação do projeto esportivo — condição para receber o benefício federal.

No documento, os atletas pediram intervenção na confederação e critérios de avaliação baseados em resultados, com planejamento técnico objetivo. O Ministério do Esporte respondeu informando que o normativo vigente do Programa Bolsa Atleta não prevê as exigências relatadas. A CBTM revogou a medida, mas o descontentamento entre atletas e entidade permanece.

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