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quinta-feira, janeiro 15, 2026

Fogos de artifício podem provocar crises sensoriais em pessoas autistas

A queima de fogos na virada do ano, tradição em muitas cidades, provoca prejuízos a parte da população sensível ao barulho, como idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Especialistas destacam que os efeitos do ruído podem se estender além da noite de comemoração.

No caso de pessoas com TEA, os estouros podem desencadear crise sensorial, com alterações comportamentais que variam de ansiedade e tentativa de fuga até agressividade. O impacto inclui também dificuldades para dormir, que podem persistir por dias, e reações fisiológicas como aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial.

Nem todos os autistas apresentam alterações sensoriais auditivas, mas a condição tem prevalência estimada em torno de 3% da população mundial. Além do indivíduo afetado, o barulho intenso costuma gerar sofrimento para toda a família.

Idosos, especialmente aqueles com demência, também são vulneráveis. Em situações de ruído intenso, podem surgir delírios, alucinações e piora do sono, da memória e do raciocínio no dia seguinte. Bebês são outro grupo afetado, já que dependem de períodos de sono mais longos e podem ter o sono fragmentado por disparos de fogos que começam horas antes da meia-noite.

Como medidas de redução de danos, profissionais orientam o uso de ruído branco em ambientes internos e abafadores auditivos para crianças maiores. Para famílias com pessoas no espectro autista, manter-se afastado de janelas reduz o impacto da luminosidade de fogos silenciosos.

Algumas cidades brasileiras passaram a rever a realização de queimas ruidosas em eventos públicos e adotaram legislação que restringe artefatos barulhentos. Alternativas apontadas incluem fogos sem estampido, espetáculos de luzes e apresentações com drones, que preservam o simbolismo da virada sem impor custo sensorial a parcela da população.

Apesar das normas existentes em vários municípios, a fiscalização é apontada como insuficiente. Em Curitiba, por exemplo, há lei vigente há mais de cinco anos que proíbe fogos ruidosos, mas episódios de estouros continuam a ser registrados em comemorações, sobretudo no Ano-Novo.

Profissionais de saúde e defensoras de práticas inclusivas avaliam que adaptar tradições para reduzir o sofrimento alheio amplia o direito à participação nas festas. A demanda por medidas alternativas e por maior rigor na aplicação das restrições tem ganhado espaço nas discussões públicas.

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