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quinta-feira, janeiro 22, 2026

Conselho de Veterinária emite alerta sobre doença que atinge gatos

O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) divulgou alerta sobre o aumento de casos de esporotricose animal na cidade.

A doença é causada por fungos do gênero Sporothrix e afeta com maior frequência os gatos, pela adaptação do microrganismo à temperatura corporal felina, fator que favorece a cadeia de transmissão.

A transmissão ocorre por inoculação traumática, por contato com solo ou material orgânico contaminado (como espinhos e lascas de madeira), e por contato direto entre animais doentes, especialmente durante brigas, arranhões e mordidas. O contato com secreções de lesões cutâneas é apontado como a principal via de contaminação.

No Brasil, a esporotricose é registrada em todas as regiões, com maior incidência nos estados do Sul e do Sudeste. Há transmissão entre animais domésticos e silvestres, e cerca de mil casos humanos são registrados por ano. Em São Paulo, a doença tem avançado desde 2011, alcançando municípios da Região Metropolitana e do litoral.

Os registros confirmados de esporotricose animal no estado passaram de 2.417 em 2022 para 3.309 em 2023.

Segundo o CRMV-SP, a ausência da obrigatoriedade de notificação em grande parte do território paulista dificulta a mensuração real do problema e o planejamento de estratégias de controle. A forma humana da doença tornou-se de notificação compulsória no primeiro semestre de 2025, mas as formas zoonóticas ainda não são de notificação obrigatória. Tramita na Assembleia Legislativa do Estado o Projeto de Lei nº 707/2025, que propõe tornar obrigatória a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados de esporotricose em humanos e em animais aos serviços de vigilância epidemiológica estadual. Hoje, há apenas orientação para que casos em animais sejam comunicados.

Os sinais em humanos podem surgir entre poucos dias e até três meses após a infecção. Inicialmente, costuma aparecer um pequeno nódulo indolor que pode crescer e evoluir para uma ferida aberta. As formas clínicas variam conforme o estado imunológico do paciente e a profundidade das lesões: podem ser cutâneas — atingindo pele, tecido subcutâneo e sistema linfático — ou extracutâneas, com disseminação para pulmões, ossos e articulações.

O conselho recomenda procurar atendimento médico ao surgirem os primeiros sintomas. Sem tratamento adequado, a esporotricose pode progredir para feridas extensas, formação de nódulos e, em pessoas imunossuprimidas, disseminação para órgãos internos.

O CRMV-SP reforça a importância de tratar animais doentes e evitar o abandono, medida considerada essencial para interromper cadeias de infecção. Gatos com sinais sugestivos devem ser avaliados por médico-veterinário e submetidos a exames laboratoriais sempre que possível.

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