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quinta-feira, junho 25, 2026

Blocos de saúde mental enfrentam preconceitos e fortalecem inclusão no Rio

O carnaval do Rio terá, em 2026, a presença de blocos ligados à atenção psicossocial que reforçam a dimensão de inclusão e o diálogo com a comunidade. Essas agremiações reúnem usuários da Rede de Atenção Psicossocial, familiares, profissionais de saúde e moradores das regiões por onde desfilam.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio) informa que os blocos promovem conscientização sobre saúde mental e atuam contra o estigma. Além dos desfiles, muitos mantêm durante o ano oficinas de música, fantasia, artesanato e percussão, voltadas à expressão artística e à convivência.

Zona Mental
O Zona Mental, mais recente entre os blocos de saúde mental, foi criado em 2015 por usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial da Zona Oeste. Seu primeiro desfile ocorreu em 2017.

Em 2026, o bloco desfila em 6 de fevereiro, com concentração às 16h na Praça Guilherme da Silveira (Ponto Chic), seguindo pelas ruas de Bangu. A presidência é compartilhada pela musicoterapeuta do Caps Neusa Santos Souza, Débora Rezende, e pela artista Rogéria Barbosa, usuária do mesmo serviço.

A agremiação reúne aproximadamente 14 a 15 serviços de saúde do Rio e conta com participação de artistas ligados a escolas de samba como Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel. O enredo de 2026 homenageia nordestinos que vivem na Zona Oeste. O samba vencedor foi composto por Marco Antonio Amaral, usuário do Caps Neusa Santos, e aborda a vida do multi-instrumentista Hermeto Pascoal, nascido em Alagoas e residente na região de Bangu, falecido no ano passado aos 89 anos.

Tá Pirando, Pirado, Pirou!
O bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou! marcará a comemoração dos 25 anos da Lei 10.216/2001 (Lei Antimanicomial) e completa 21 anos de atividade em 2026. O desfile está agendado para 8 de fevereiro, com concentração às 15h na Avenida Pasteur, na Urca, próximo à Unirio.

O bloco reserva homenagem ao psiquiatra italiano Franco Basaglia, que esteve no Brasil em 1979 com a esposa Franca Ongaro Basaglia e teve papel de relevância no debate que levou à reforma psiquiátrica brasileira. O contexto histórico inclui denúncias sobre as condições do Hospital-Colônia de Barbacena (MG), onde ocorreram milhares de mortes por maus-tratos, e a mobilização que resultou no Manifesto de Bauru (1987) e, posteriormente, na aprovação da Lei 10.216 em 2001.

Na passagem de 2026, a bateria será da Portela e haverá participação dos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.

Império Colonial
O Império Colonial terá enredo dedicado a Arthur Bispo do Rosário, artista plástico que foi internado por cerca de cinco décadas na Colônia Juliano Moreira e também teve passagem pela marinha e pelo boxe. O bloco surgiu em 2009 a partir de ações culturais vinculadas ao Museu Bispo do Rosário, localizado no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira (IMASJM). Desde 2012, sua sede é o Centro de Convivência Pedra Branca (Cecco Pedra Branca).

A composição do enredo é de Alex de Repix, usuário do Caps Jovelina Pérola Negra. O desfile está marcado para 10 de fevereiro, com concentração às 14h30 na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá, Zona Sudoeste. O Império Colonial é pequeno: cerca de 20 integrantes entre bateria, profissionais de saúde mental e usuários. Em 2025 o bloco realizou um baile na Areninha Jacob do Bandolim, na Pechincha, que reuniu 200 pessoas; a previsão para 2026 é ampliar esse público ao retornar às ruas na semana do carnaval.

Loucura Suburbana
O samba “Para o povo poder cantar”, escolhido entre 25 concorrentes, será o carro-chefe do Loucura Suburbana no desfile de 12 de fevereiro. O bloco, fundado em 2001 no Engenho de Dentro (Zona Norte), completa 26 anos em 2026 e espera público superior a 3 mil pessoas.

O enredo deste ano reúne três temas: Baluartes (referência a músicos ligados à trajetória do grupo e à memória do carnaval local), Território (ligado às raízes e ao trabalho comunitário) e Loucura (relacionado ao papel social e afetivo do bloco). Para facilitar a participação, o barracão do Loucura Suburbana oferece fantasias para reserva — que são retiradas no dia do desfile e devolvidas posteriormente — e maquiagem carnavalesca gratuita para os foliões.

Esses blocos integram a agenda pré-carnavalesca do Rio e ilustram a atuação cultural da rede de atenção psicossocial em espaços comunitários, com foco em inclusão, visibilidade e fortalecimento de laços sociais.

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