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sábado, fevereiro 7, 2026

Brasil e Rússia defendem uso pacífico da energia nuclear em fórum

Brasil e Rússia assinaram documento conjunto defendendo o uso pacífico da energia nuclear e a ampliação da cooperação bilateral em Brasília. O acordo foi firmado pelo vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, e pelo primeiro‑ministro russo, Mikhail Mishustin, durante o Fórum Empresarial Brasil‑Rússia no Itamaraty, nesta quinta-feira (5).

O texto registra interesse em ampliar a produção de radioisótopos medicinais para atender demandas de saúde e em promover projetos conjuntos nas áreas de geração de energia nuclear, ciclo do combustível nuclear e atualização da base jurídica da cooperação entre os países.

No mesmo dia, expirou o tratado New START, que limitava o arsenal nuclear entre Estados Unidos e Rússia.

Além do setor nuclear, o documento aponta prioridades para cooperação na indústria farmacêutica e médico‑hospitalar, na construção naval, em tecnologias industriais digitais e em segurança cibernética.

O comunicado também enfatiza o multilateralismo e condena medidas coercitivas unilaterais, especialmente contra países em desenvolvimento, classificando‑as como incompatíveis com o direito internacional e com a Carta das Nações Unidas. Segundo o texto, agressões internacionais prejudicam direitos humanos, comprometem o desenvolvimento sustentável e afrontam a soberania dos Estados.

O Palácio do Planalto divulgou nota informando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ações para fortalecer o multilateralismo e defendeu a criação de mecanismos de acompanhamento das iniciativas bilaterais, com vista a obter resultados mais rápidos e benefícios concretos para ambos os países. A nota também indicou que as cifras do comércio bilateral, na avaliação do governo, ainda não refletem o potencial econômico das duas nações.

No campo comercial, Alckmin e Mishustin destacaram a força da parceria, com ênfase ao agronegócio, e a possibilidade de ampliar importações, exportações e cooperação em pesquisa. Em 2025, o fluxo comercial entre os países alcançou cerca de US$ 11 bilhões, com saldo de comércio que favoreceu as importações russas para o Brasil.

O documento reconhece que a pauta comercial atual é pouco diversificada e concentrada em produtos primários. Para ampliar as exportações de bens industrializados, as autoridades propuseram maior interação entre empresários e governos, além de incentivar parcerias em tecnologia, energia e saúde. O governo brasileiro se comprometeu a oferecer previsibilidade, segurança jurídica e ambiente favorável aos negócios.

A Rússia é apontada como um dos cinco principais parceiros de importação do Brasil e consegue atender a mais da metade da demanda latino‑americana por produtos russos, segundo os representantes. Ambos os países manifestaram intenção de diversificar o comércio, aumentar a participação de produtos com maior valor agregado e lançar projetos de longo prazo em setores como química, petróleo e gás, energia atômica, produção farmacêutica e exploração espacial.

No campo farmacêutico, o documento indica perspectivas de cooperação para introdução de produtos russos inovadores no mercado brasileiro, inclusive para doenças oncológicas e diabetes, e previsão de transferência de tecnologia com apoio de análises regulatórias brasileiras. Também foi destacada a troca de experiências em cibersegurança e inteligência artificial, com menção à importância da soberania digital.

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