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quarta-feira, abril 15, 2026

Ministério da Saúde libera R$ 12 milhões para combate à doença de Chagas

O Ministério da Saúde anunciou repasse de R$ 12 milhões para reforçar ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados. Os recursos destinam-se a fortalecer atividades contínuas em 155 municípios prioritários, incluindo captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.

Anápolis (GO) e Goiânia receberam selo bronze por boas práticas na eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas. A pasta ressaltou que a enfermidade segue como desafio de saúde pública, especialmente em áreas com maior vulnerabilidade social e presença de vetores.

A seleção dos municípios beneficiados considerou critérios técnicos que combinam presença de triatomíneos com condições socioambientais. Receberam prioridade cidades classificadas como de risco muito alto em um índice composto e localidades com registro recente do vetor. Também foram incluídos locais com alta prioridade para a forma crônica, concentrados sobretudo nas regiões Nordeste e Sudeste.

Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde lançou a fase 2 do estudo Selênio, que vai avaliar a eficácia e a segurança do selênio como tratamento complementar para cardiopatia chagásica crônica. O projeto terá investimento de R$ 8,6 milhões e pretende gerar evidências em diferentes perfis de pacientes, com potencial para subsidiar avaliações sobre incorporação dessa tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Dados epidemiológicos recentes evidenciam a persistência da doença no país. Em 2024 foram registradas 3.750 mortes, com maior concentração no Sudeste, e 520 casos agudos, principalmente no Norte (destaque para o Pará). Dados preliminares de 2025 apontam 627 casos agudos — 97% no Norte — e 8.106 casos crônicos, predominantemente em Minas Gerais, Bahia e Goiás.

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e costuma apresentar fase aguda — que pode ser sintomática ou assintomática logo após a infecção — e fase crônica, que pode surgir anos depois e afetar o coração e o sistema digestivo.

Os vetores são triatomíneos (barbeiros), que passam por estágios de ovo, ninfa e adulto; ninfas e adultos se alimentam de sangue e podem transmitir o parasita quando infectados. As formas de transmissão incluem:
– vetorial (fezes do barbeiro contaminando pele ou mucosas após a picada);
– oral (ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas);
– vertical (da mãe para o bebê durante a gravidez ou parto);
– transfusão ou transplante (sangue ou órgãos de doadores infectados);
– acidental (contato com material contaminado em ambientes laboratoriais ou na manipulação de animais).

Na fase aguda, os sinais mais comuns são febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e membros e, em alguns casos, lesão no local de entrada do parasita. Na fase crônica, muitos pacientes permanecem assintomáticos, mas podem desenvolver problemas cardíacos (incluindo insuficiência) e alterações digestivas como megaesôfago e megacólon.

As medidas de prevenção variam conforme a via de transmissão. Entre as recomendações estão ações de controle do barbeiro nas habitações, uso de telas e mosquiteiros, aplicação de repelentes e uso de roupas de proteção em áreas de risco. Para reduzir o risco de transmissão oral, orienta-se lavar bem frutas, verduras e legumes com água potável, proteger e armazenar adequadamente os alimentos e capacitar manipuladores de alimentos.

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