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quarta-feira, abril 22, 2026

Dourados declara estado de calamidade por surto de chikungunya; vacinação começa na segunda-feira

A prefeitura de Dourados (MS) decretou situação de calamidade em saúde pública diante do avanço da epidemia de chikungunya no município. Inicialmente concentrados na Reserva Indígena de Dourados, os casos passaram a ser registrados também em bairros da cidade.

Em 20 de março, o prefeito havia declarado situação de emergência em saúde pública. Uma semana depois, editou novo decreto reconhecendo emergência em defesa civil nas áreas afetadas. O terceiro decreto, que estabelece a calamidade em saúde pública, segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE) e tem validade de 90 dias.

O COE apontou cenário epidemiológico crítico, com mais de 6.186 casos prováveis notificados e taxa de positividade de 64,9%. Dados do Departamento de Gestão do Complexo Regulador municipal indicam ocupação de leitos de internação em torno de 110%, o que demonstra extrapolação da capacidade instalada e impossibilidade de resposta assistencial oportuna mesmo para casos graves.

Vacinação
A campanha de vacinação contra a chikungunya em Dourados está prevista para começar na segunda-feira (27). O primeiro caminhão com doses chegou ao município na noite de sexta-feira (17). Nos dias 22 e 23, a prefeitura realizará capacitação de profissionais de enfermagem para avaliação de comorbidades e esclarecimento sobre restrições à vacina.

Pelas regras do Ministério da Saúde, só podem ser vacinadas pessoas entre 18 e 59 anos. A meta é imunizar pelo menos 27% do público-alvo, cerca de 43 mil pessoas. A previsão é de aplicação mais lenta, já que cada candidato deverá ser avaliado por profissional de saúde antes da dose.

As doses serão distribuídas para todas as salas de vacinação do município na sexta-feira (24), incluindo unidades da saúde indígena. Haverá também ação em formato drive-thru no feriado de 1º de maio, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.

Contraindicações
A vacina não deve ser aplicada em:
– gestantes ou lactantes;
– pessoas em uso de medicamentos imunossupressores (por exemplo, corticosteroides em altas doses);
– pessoas com imunodeficiência congênita;
– pacientes em tratamento oncológico com quimioterapia ou radioterapia;
– transplantados de órgão sólido;
– transplantados de medula óssea há menos de dois anos;
– pessoas com HIV/Aids;
– portadores de doenças autoimunes (como lúpus e artrite reumatoide);
– pessoas com pelo menos duas condições crônicas (diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade, doença hepática crônica e câncer em tratamento ou em remissão).

Também são contraindicações: ter tido chikungunya nos últimos 30 dias; apresentar quadro febril grave; ter recebido vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; ou vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.

Contexto e números
Até a última segunda-feira (20), a prefeitura registrava 4.972 casos prováveis de chikungunya, com 2.074 confirmados, 1.212 descartados e 2.900 em investigação. Foram confirmadas oito mortes por complicações da doença, sendo sete entre moradores da reserva indígena.

Repasse federal
No fim de março, o Ministério da Saúde liberou aporte emergencial de R$ 900 mil para ações de vigilância, assistência e controle da doença em Dourados. O recurso será transferido em parcela única do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal e poderá ser utilizado para intensificar vigilância, controle do Aedes aegypti, qualificar a assistência e apoiar as equipes de atendimento.

Sobre a chikungunya
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas do mosquito Aedes; no Brasil, o vetor é o Aedes aegypti. O vírus chegou ao continente americano em 2013 e, em 2014, foi confirmado no Brasil nos estados do Amapá e da Bahia. Atualmente, todos os estados registram transmissão.

A infecção costuma provocar edema e dor articular intensa, podendo apresentar manifestações extraarticulares. Casos graves podem demandar internação e evoluir para óbito.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina contra a chikungunya em abril de 2025. A distribuição inicial será estratégica, priorizando regiões com risco potencial de transmissão; cerca de 20 municípios em seis estados devem receber doses nessa etapa.

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