A Suprema Corte dos Estados Unidos, composta majoritariamente por juízes conservadores, anulou o mapa eleitoral para o Congresso do estado da Louisiana em decisão de 6 a 3. O tribunal concluiu que o traçado dos distritos se baseou de forma excessiva em critérios raciais, o que exigirá a modificação de pelo menos dois distritos de maioria negra.
Organizações do movimento negro e grupos de direitos civis reagiram com críticas à decisão, que tende a reduzir a representação de eleitores negros no Congresso estadual e pode alterar a composição partidária do estado.
Em resposta à determinação da Corte, o governador da Louisiana, Jeff Landry, cancelou as primárias partidárias marcadas para 16 de maio, alegando a necessidade de redesenhar os mapas eleitorais antes da votação.
Analistas apontam que a mudança abre espaço para que outros estados revisem distritos de maioria negra e latina, populações que historicamente votam mais pelo Partido Democrata. Essa possibilidade alimenta preocupações sobre nova onda de gerrymandering — prática de manipular fronteiras distritais para favorecer um partido — que pode beneficiar candidatos republicanos e reforçar a posição do ex-presidente Donald Trump.
Trump saudou publicamente a decisão e agradeceu ao governador da Louisiana por levar o caso à Suprema Corte. Também houve manifestações do presidente incentivando governadores a revisar distritos em seus estados.
Partidos democrata e suas lideranças prometem reação para tentar limitar perdas de representatividade nas eleições de meio de mandato, em novembro. Especialistas, porém, observam que a maioria dos redesenhos dificilmente será implementada já em 2026, com efeitos mais amplos plausíveis apenas em 2028 ou 2030.
O caso da Louisiana ocorre em um contexto de mudanças recentes em vários estados. Texas, Flórida, Missouri e Carolina do Norte estão entre os que redesenharam distritos para favorecer republicanos. Califórnia, Utah e Virgínia adotaram alterações que tendem a favorecer democratas. A Flórida tornou-se o oitavo estado a revisar mapas para a eleição parlamentar de 2026.
A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e outras entidades de defesa dos direitos civis criticaram a decisão da Suprema Corte e alertaram para o risco de novas restrições ao voto.
Entenda a diferença de sistema
Nos Estados Unidos, a eleição para a Câmara dos Representantes é distrital: cada distrito elege um único deputado pela maioria dos votos locais. Isso difere do modelo proporcional usado no Brasil. A manipulação das fronteiras distritais pode diluir o peso de minorias concentradas — por exemplo, dividindo uma população urbana e majoritariamente negra em vários distritos dominados por eleitores de áreas rurais e brancas — e assim reduzir a chance de eleger representantes dessas comunidades.




