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segunda-feira, maio 4, 2026

Cerco a Bamako põe em xeque a Aliança dos Estados do Sahel

O avanço de grupos jihadistas contra a capital do Mali, Bamako, ameaça a estabilidade da Aliança dos Estados do Sahel (AES), formada por Mali, Níger e Burkina Faso. Entre os grupos que participam das operações está o JNIM, ligado à Al-Qaeda.

A AES nasceu após sucessivos golpes militares na região que levaram à formação de governos de orientação nacionalista. Desde 2020, os três países iniciaram mudanças institucionais, políticas e econômicas que reduziram a influência da França na África Ocidental.

Em 25 de abril, ataques coordenados do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (JNIM) e da Frente de Libertação do Azaward (FLA) resultaram na captura de cidades e territórios no norte do Mali, incluindo Kidal. Nessa ofensiva, foi morto o ministro da Defesa do país, Sadio Camara. Fontes oficiais indicaram que os grupos instalaram bloqueios nas vias de acesso a Bamako, pressionando o governo liderado por Assimi Goïta.

O cerco comprometeu o abastecimento da capital e intensificou a preocupação com a segurança interna do Mali. A situação também acende alertas sobre possíveis impactos para os demais membros da AES, uma vez que o Mali é o maior país em extensão territorial na região do Sahel.

A África Ocidental concentra mais de 420 milhões de habitantes e reservas significativas de recursos naturais, como ouro, urânio e outros minérios, ao mesmo tempo em que enfrenta altos níveis de pobreza e atividade de grupos insurgentes islâmicos.

Sobre os grupos envolvidos, o JNIM é identificado como uma franquia da Al-Qaeda no Sahel que advoga a implementação da sharia e a criação de um califado regional. A FLA reúne grupos tuaregues que reivindicam autonomia ou um Estado próprio para a população tuaregue e vem atuando em rotas de tráfico de armas e pessoas na região.

No plano internacional, o Mali apresentou, em 2022, uma denúncia ao Conselho de Segurança da ONU acusando a França de apoiar e financiar grupos armados por meio de violações do espaço aéreo maliano e de fornecimento de material. Paris rejeitou essas acusações e informou que suas operações na região, conduzidas a pedido de autoridades malianas até a retirada, foram direcionadas ao combate a grupos terroristas; forças francesas registraram perdas de efetivo ao longo dos anos.

Em reação aos golpes de 2020, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) excluiu Mali, Burkina Faso e Níger do bloco. A ausência de acesso ao mar e o isolamento diplomático acentuaram o isolamento desses países em relação aos vizinhos.

Nos últimos anos, os Estados da AES passaram a receber apoio militar de grupos ligados à Rússia, entre eles a chamada África Korps associada ao Wagner. Organizações que monitoram conflitos registraram que a ofensiva armada recente expôs limitações do apoio externo, ao mesmo tempo em que pode forçar as forças malianas a concentrar recursos na proteção de Bamako em detrimento de outras regiões.

A escalada no Mali reforça a preocupação sobre a segurança no Sahel e suas repercussões para a estabilidade da África Ocidental. Autoridades regionais e observadores internacionais acompanham a evolução dos combates e as consequências humanitárias e geopolíticas decorrentes do avanço dos grupos armados.

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