Um estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC) alerta que projetos de parques eólicos offshore podem tornar a pesca artesanal inviável em todo o estado.
O Ceará aparece como a segunda unidade da federação com maior número de empreendimentos eólicos previstos, com 16 projetos cadastrados. Se todos forem aprovados, os parques ocuparão os 23 municípios litorâneos cearenses e uma área superior a 10 mil quilômetros quadrados.
Os empreendimentos estão previstos para serem submetidos ao primeiro leilão nacional até o fim deste semestre. A implementação das áreas eólicas pode conflitar com 30 colônias, sindicatos e associações de pesca do estado.
Dados do Ministério da Pesca e Aquicultura, divulgados em março de 2026, apontam quase 38 mil pescadores no Ceará, em sua maioria atuantes na pesca artesanal e dependentes exclusivamente do trabalho manual. Comunidades indígenas e quilombolas também estão entre as populações potencialmente afetadas.
O estudo destaca impacto direto sobre as embarcações locais. Pescadores que utilizam jangadas a vela dependem de espaço marítimo e do movimento dos ventos para sair e retornar à costa, o que pode ser prejudicado pela instalação dos parques.




