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quarta-feira, maio 6, 2026

Pesquisa revela que 53% das famílias raramente leem para seus filhos

Um estudo internacional da OCDE divulgado nesta terça-feira (5) revela que 53% das famílias brasileiras raramente ou nunca leem livros para crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola nos estados do Ceará, Pará e São Paulo.

A pesquisa — denominada International Early Learning and Child Well-being Study (IELS-2025) — aponta que apenas 14% dos responsáveis fazem leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana nessas três unidades da federação. A média internacional para essa frequência é de 54%.

Metodologia e amostra
O levantamento coletou dados individualmente de 2.598 crianças em 210 escolas (80% públicas e 20% privadas) nos três estados, por limitações orçamentárias. As avaliações foram aplicadas por meio de atividades lúdicas e interativas adequadas à faixa etária. Questionários específicos também reuniram percepções de famílias e professores sobre aprendizagem, desenvolvimento e comportamento.

Áreas avaliadas
O estudo organizou as avaliações em três grandes áreas e dez domínios:
– Aprendizagens fundamentais: linguagem e raciocínio matemático iniciais (literacia emergente e numeracia emergente).
– Funções executivas: memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade mental.
– Habilidades socioemocionais: compreensão de si e dos outros, empatia e comportamento pró-social.

Principais resultados
– Literacia emergente: o Brasil registrou média de 502 pontos, ligeiramente acima da média internacional de 500, com pouca variação entre níveis socioeconômicos nesse domínio.
– Numeracia emergente: média de 456 pontos, 44 pontos abaixo da média internacional. Desigualdades marcantes foram observadas entre crianças de diferentes níveis socioeconômicos; reconhecimento de numerais atinge 80% das crianças de nível socioeconômico alto e 68% das de nível baixo.
– Funções executivas: médias brasileiras ficaram abaixo da média internacional nos três domínios avaliados. A memória de trabalho apresentou a maior diferença por nível socioeconômico, com um hiato de 39 pontos entre crianças de situação mais alta e mais baixa.
– Socioemocional: domínios relacionados à atribuição e identificação de emoções tiveram pontuações próximas ou superiores à média internacional (501 e 491 pontos, respectivamente).

Recortes por raça, gênero e renda
O Brasil foi o único país participante a divulgar resultados com recorte racial. A análise mostrou que meninos, crianças pretas, pardas e indígenas e aquelas de menor nível socioeconômico apresentam maiores dificuldades nas aprendizagens ao final da pré-escola. Crianças brancas apresentaram vantagem de 17 pontos em linguagem e 40 pontos em numeracia em comparação com crianças pretas. Beneficiários de programas de transferência de renda e crianças de famílias de baixa renda obtiveram pontuações menores em várias dimensões, especialmente em memória de trabalho e noções matemáticas.

Uso de telas e atividades educativas
O estudo registrou que 50,4% das crianças usam diariamente dispositivos digitais (computador, notebook, tablet ou celular), percentual superior à média dos países participantes (46%). Apenas 11,4% relataram nunca ou quase nunca usar esses dispositivos. Em contrapartida, 62% das crianças raramente ou nunca realizam atividades educativas nesses aparelhos, enquanto 19% os utilizam com foco educativo entre três e sete vezes por semana.

Atividades fora de casa e interações familiares
Apenas 37% das famílias relataram participação frequente em atividades ao ar livre (caminhadas, brincadeiras livres etc.), abaixo da média internacional de 46%. Cerca de 29% afirmaram nunca ou raramente realizar esse tipo de atividade. A comunicação sobre sentimentos entre pais e crianças ocorre entre três e sete dias por semana em 56% dos casos no Brasil, nível inferior à média internacional, que é de 76%.

Implicações
Os resultados em larga escala do IELS-2025 fornecem um panorama das aprendizagens, do bem‑estar e das desigualdades na primeira infância nesses três estados brasileiros. Os dados podem embasar a formulação e o ajuste de políticas públicas nas áreas de educação, saúde e proteção social, além de orientar programas de apoio à parentalidade e de fortalecimento da relação entre famílias e instituições de educação infantil.

Participação e coordenação
O estudo está em seu segundo ciclo e inclui, além do Brasil, Azerbaijão, Bélgica, China, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Holanda, Malta e Inglaterra. O Brasil foi o único país da América Latina participante. No país, o levantamento contou com um consórcio de instituições liderado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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