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quarta-feira, maio 6, 2026

Pesquisa indica que tratamentos inadequados agravam a asma em adultos

Um levantamento com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) revelou redução da função pulmonar em grande parte dos asmáticos atendidos na atenção primária.

A pesquisa do Projeto CuidAR, conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), em parceria com o Ministério da Saúde, apontou que 60% dos adultos e 33% das crianças apresentaram função respiratória abaixo do esperado, associado ao uso de tratamentos considerados defasados, como os broncodilatadores de curta ação (SABA), conhecidos como bombinhas de resgate.

O estudo mostra que mais da metade dos pacientes utiliza SABA como único medicamento para controle da asma. Diretrizes internacionais da Iniciativa Global para Asma (GINA) alertam que o uso isolado desses broncodilatadores é ineficaz a longo prazo, porque apenas alivia sintomas sem controlar a inflamação das vias aéreas, o que eleva o risco de exacerbações graves e de mortalidade.

Em espirometrias realizadas durante a pesquisa, muitos adultos com função pulmonar reduzida não apresentaram reversibilidade após a aplicação de broncodilatador. Entre as crianças, aproximadamente um terço também não normalizou a função pulmonar após o teste. Esses achados apontam para danos pulmonares que podem não ser totalmente recuperáveis em pacientes com tratamento inadequado ao longo do tempo.

O tratamento atualmente recomendado inclui broncodilatadores de longa ação (LABA) combinados com anti-inflamatórios inaláveis. Apesar disso, o estudo identificou que grande parte das UBSs ainda prioriza medicamentos de alívio rápido em vez de esquemas preventivos e anti-inflamatórios.

A pesquisa avaliou ainda o impacto da doença na vida cotidiana. No último ano, em média 60% dos pacientes perderam dias de estudo ou trabalho por causa da asma. O absenteísmo foi superior a 80% entre crianças e adolescentes e cerca de 50% entre adultos. Quase 70% dos participantes relataram três ou mais crises recentes; quase metade precisou de atendimento em pronto-socorro e, entre esses, 10% foram hospitalizados.

Em âmbito nacional, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia estima que cerca de 20 milhões de brasileiros têm asma. Um estudo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia indica aumento da mortalidade pela doença, com média de seis mortes diárias no país.

Como medidas propostas para reduzir internações e melhorar o diagnóstico na rede pública, o Projeto CuidAR avalia a implementação de dispositivos de medição de pico de fluxo expiratório (Peak Flow) nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os pesquisadores, o aparelho é de fácil manuseio e custa cerca de R$ 200, valor bem inferior ao da espirometria completa, que pode chegar a R$ 15 mil. O projeto também inclui ações de educação continuada para profissionais de saúde nas UBSs, com o objetivo de modernizar protocolos de atendimento.

Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior.

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