A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 podem colocar o Brasil ao lado de Colômbia, Chile e México entre os países da América Latina que avançaram, nesta década, na diminuição do tempo dedicado ao trabalho.
Na região, a Argentina segue em direção oposta. Sob o governo de Javier Milei, o país passou a autorizar jornadas de até 12 horas por dia.
Na Colômbia, a mudança foi aprovada em 2021, durante o governo de direita de Iván Duque. A lei reduziu a jornada semanal de 48 para 42 horas, sem corte de salário, de forma gradual. O recuo começou a ser aplicado em 2023, quando a carga caiu para 47 horas. A previsão é de que o limite de 42 horas seja alcançado apenas em julho de 2026.
Especialistas apontam que a medida colombiana surgiu em meio à crise social de 2019, quando protestos em massa pressionaram o sistema político do país. A reforma também teve apoio de setores empresariais e passou no Congresso sem grande resistência. No desenho aprovado, a iniciativa buscou se aproximar das recomendações da Organização Internacional do Trabalho, que defende jornadas menores e limite semanal de até 48 horas, com pagamento de horas extras.
No Brasil, a jornada caiu de 48 para 44 horas em 1988, durante a Constituinte, mais de três décadas antes da experiência colombiana.
A Colômbia voltou a avançar em junho de 2025, já no governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda do país. A nova reforma trabalhista ampliou direitos, como o adicional noturno a partir das 19h e a remuneração de horas extras em domingos e feriados, além de limitar a jornada diária a 8 horas.
No México, a redução também foi aprovada neste ano, mas em um cenário político distinto. O país passará das atuais 48 para 40 horas semanais, em uma transição gradual iniciada em janeiro de 2027 e prevista para terminar em 2030. A medida foi promulgada pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum, do Morena, partido que sucedeu o ciclo de governos de direita no país.
Analistas avaliam que a forte aprovação do governo e a maioria parlamentar da coalizão governista facilitaram o avanço da proposta. A reação dos empresários existiu, mas foi limitada diante da força política do grupo no poder.
No Chile, a redução da jornada foi sancionada em 2023 pelo governo de centro-esquerda de Gabriel Boric. A lei diminui a carga de 45 para 40 horas semanais, também sem redução salarial, com implantação gradual. A jornada passou para 44 horas em 2024 e para 42 em abril de 2026. A meta é chegar a 40 horas em 2028.
A mudança chilena é associada às mobilizações sociais de 2019, que sacudiram o país e abriram espaço para uma agenda de reformas. Assim como na Colômbia, o processo contou com apoio popular e pressão de movimentos sociais e sindicais, apesar da resistência de setores empresariais.
No Brasil, a discussão sobre a redução da jornada para 40 ou 36 horas semanais e o fim da escala 6×1 enfrenta oposição do setor empresarial. Estudos sobre os efeitos da proposta no PIB e na inflação ainda apresentam resultados divergentes.




