A médica Aleida Guevara, filha de Che Guevara, afirmou que em Cuba há a percepção de que os Estados Unidos podem lançar uma ofensiva contra a ilha a qualquer momento, em meio ao comportamento imprevisível do presidente Donald Trump. Ela esteve no Brasil para participar do 4º encontro do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), em um momento de agravamento das restrições impostas pelos EUA a Cuba.
Aleida disse que a visita ao país teve como foco o debate sobre a reforma agrária e a soberania alimentar no Brasil. Segundo ela, o campo brasileiro ainda enfrenta entraves centrais na distribuição de terras, tema que considera decisivo para o enfrentamento da fome.
Com 65 anos, a médica também destacou a relação de solidariedade entre movimentos sociais brasileiros e Cuba. Para ela, o apoio do campesinato ao país caribenho e a menção ao socialismo no encontro foram sinais relevantes da ligação política entre os dois lados.
A filha de Che Guevara retornou a Cuba nesta sexta-feira, alegando preocupação com a situação da ilha diante das tensões com os Estados Unidos. Ela afirmou que considera essencial permanecer no país caso haja uma escalada militar.
Ao avaliar o impacto do bloqueio econômico e energético mantido por Washington há mais de seis décadas, Aleida relatou que Cuba enfrenta sérias dificuldades de abastecimento, especialmente de petróleo e energia. Segundo ela, em algumas províncias houve cortes prolongados de eletricidade, o que afeta desde a conservação de alimentos até o funcionamento básico de serviços.
Ela também apontou que a solidariedade internacional tem sido importante para aliviar a crise. Citou a atuação de estudantes formados em Cuba, organizações sociais, sindicatos e governos estrangeiros que enviaram medicamentos, alimentos e combustíveis ao país.
Entre os governos, Aleida mencionou o México como um dos principais apoiadores de Cuba na América Latina. Também destacou o envio de ajuda por Rússia, Itália, China e outros países, apesar das dificuldades diplomáticas e econômicas.
Questionada sobre críticas à democracia cubana, Aleida defendeu o sistema político da ilha e afirmou que a participação popular é o centro do modelo cubano. Segundo ela, a democracia deve ser medida pelo poder real do povo sobre as decisões do Estado.
Ao falar sobre a relação com o pai, afirmou ter tido pouco convívio com Che Guevara, mas destacou a influência da mãe, Aleida March, na formação dela e dos irmãos. Disse ainda que a imagem do líder revolucionário continua muito presente em Cuba, especialmente entre as crianças.




