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sábado, maio 30, 2026

Uso excessivo de telas prejudica a criatividade nas brincadeiras infantis

O modo como as crianças brincam mudou profundamente nas últimas décadas. Em meio ao avanço dos celulares, tablets e outros dispositivos, atividades tradicionais perderam espaço e passaram a dividir a atenção com as telas.

O tema voltou a ganhar destaque com o Dia Mundial do Brincar, celebrado em 28 de maio, data que chama atenção para a importância da brincadeira no desenvolvimento infantil. Enquanto gerações anteriores ocupavam ruas e praças com jogos coletivos, hoje muitas crianças passam boa parte do tempo dentro de casa, cercadas por telas.

Especialistas apontam que o cenário atual combina insegurança nas ruas, mudanças na dinâmica familiar e menos tempo dos adultos para conduzir atividades lúdicas. Com famílias menores e pais mais sobrecarregados, cresce a tendência de usar os aparelhos eletrônicos para entreter os filhos quando eles estão ociosos.

Uma pesquisa citada no material, intitulada Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil, analisou 14 crianças e identificou que o uso excessivo das telas pode reduzir a criatividade e a autonomia para inventar brincadeiras fora do ambiente digital. O estudo mostra que, quanto mais expostas aos dispositivos, mais dependentes as crianças se tornam da mediação de adultos para propor atividades.

A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites de tempo de tela conforme a faixa etária. As orientações levam em conta riscos associados ao excesso de exposição, como prejuízos ao desenvolvimento cognitivo, impactos emocionais e problemas físicos, entre eles alterações oculares, auditivas e ortopédicas.

As entidades também alertam que as telas não devem substituir momentos básicos da rotina, como refeições e sono. Além do tempo de uso, o conteúdo acessado pelos menores exige atenção, já que pode ser inadequado ou nocivo. Nesse contexto, aplicativos de controle parental têm sido adotados por algumas famílias para monitorar e restringir o acesso a determinados conteúdos.

Ao mesmo tempo em que especialistas defendem limites, há iniciativas que buscam mostrar usos educativos e sociais da tecnologia. Um desses exemplos é o Gaming Park, projeto social criado em 2022 e voltado a crianças e adolescentes de 8 a 17 anos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e em Vitória, no Espírito Santo. A iniciativa combina aprendizado multidisciplinar com elementos dos videogames e também oferece ações sociais e orientação profissional ligada aos esportes eletrônicos.

A discussão em torno do tema reforça que o desafio não está em eliminar a tecnologia, mas em estabelecer um uso equilibrado. Para isso, especialistas defendem educação midiática e letramento digital desde cedo, com orientação sobre consumo de conteúdo, funcionamento de algoritmos, compartilhamento de dados e riscos como desinformação.

Também há cobrança para que as empresas responsáveis pelas plataformas digitais tenham maior responsabilidade na forma como organizam e estimulam o consumo de conteúdo, evitando incentivar o uso excessivo pelos mais jovens.

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