Os Ministérios Públicos estaduais do Rio de Janeiro e do Mato Grosso do Sul deflagraram nesta terça-feira (2) a Operação Riqueza Sombria, com o objetivo de desarticular uma quadrilha suspeita de lavar dinheiro para a facção Comando Vermelho.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio, o esquema movimentou mais de R$ 116 milhões entre 2020 e 2025.
As investigações tiveram como base Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O material apontou depósitos em agências bancárias próximas a áreas controladas pela facção, sobretudo na região do Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio. Os beneficiários das transferências moravam em Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, município na fronteira com o Paraguai.
A cidade chamou a atenção dos investigadores por estar em uma área estratégica para a entrada de armas e drogas no país. Os repasses eram feitos de forma fracionada, técnica conhecida como smurfing, usada para tentar escapar dos sistemas de monitoramento financeiro.
De acordo com o MP do Rio, o dinheiro obtido com o tráfico de drogas era dividido em diversos depósitos em espécie e enviado para contas de pessoas físicas e de empresas de fachada. Depois, os valores eram redistribuídos e voltavam ao sistema financeiro formal, o que dificultava o rastreamento da origem ilícita.
A pedido do Gaeco, a Justiça autorizou 18 mandados de busca e apreensão, cumpridos com apoio da Polícia Civil. A apuração começou a partir de informações reunidas em uma operação feita em julho de 2020, na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na zona norte do Rio. Na ocasião, foram apreendidos drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e comprovantes bancários.




