Os protestos contra a instalação de um centro de quarentena para norte-americanos expostos ao ebola no Quênia deixaram três mortos, ampliando a tensão no país da África Oriental. A iniciativa, ligada a um acordo entre Estados Unidos e Quênia, gerou preocupação entre moradores e manifestações nas ruas de Nairóbi.
Com cerca de 56 milhões de habitantes, o Quênia faz fronteira com Uganda, um dos países atingidos pelo surto de ebola, e está próximo da República Democrática do Congo, outro foco da doença. Por essa razão, a Organização Mundial da Saúde classifica o país como vulnerável ao risco de contaminação.
Na terça-feira (9), manifestantes voltaram a sair às ruas da capital queniana. A Comissão de Direitos Humanos do Quênia informou que uma pessoa foi morta por disparos da polícia durante o ato. Na semana anterior, outros dois manifestantes já haviam morrido em protestos com a mesma pauta.
O centro de quarentena previsto para Laikipia, a cerca de 150 quilômetros de Nairóbi, foi alvo de forte rejeição local. A Justiça queniana chegou a emitir uma ordem cautelar suspendendo a instalação da unidade. Segundo a imprensa do país, a estrutura teria inicialmente 50 leitos, com possibilidade de expansão para 250.
A representação dos Estados Unidos no Quênia afirmou que busca resolver os impasses relacionados à resposta conjunta ao surto de ebola. Já o governo queniano não divulgou detalhes sobre o acordo, que, segundo reportagens locais, foi mantido sob sigilo.
O debate ocorre em meio a outro foco de desgaste para o governo de William Ruto, que enfrenta semanas de protestos internos, também impulsionados pela alta dos combustíveis. No contexto regional, a situação se agrava com o avanço do surto da cepa Bundibugyo, considerada rara e sem vacina ou tratamento disponível.
De acordo com dados consolidados por órgãos africanos de saúde, até 8 de junho a República Democrática do Congo registrava 626 casos confirmados e 112 mortes associadas ao vírus. Em Uganda, eram 19 casos confirmados e duas mortes.




