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sexta-feira, junho 19, 2026

Reforma em Cuba não representa capitalismo, mas uma tentativa de contornar o bloqueio

A Assembleia Nacional de Cuba discutiu nesta quinta-feira (18) um pacote de reformas econômicas e administrativas que busca aliviar a grave crise enfrentada pela ilha, mas sem alterar o modelo socialista vigente. As mudanças incluem ajustes nas áreas fiscal, cambial, comercial e de subsídios, além de uma reorganização do Estado com mais descentralização e autonomia para empresas estatais e municípios.

As medidas fazem parte de uma tentativa do governo cubano de ampliar a entrada de divisas e estimular a economia em meio ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos, que há décadas restringe o comércio e o acesso do país ao sistema financeiro internacional. Entre os pontos previstos estão incentivos ao investimento estrangeiro, maior abertura em alguns setores produtivos e alterações nas regras para participação de acionistas em empresas locais.

A estratégia ocorre num momento em que a economia cubana sofre forte pressão sobre suas principais fontes de receita: o turismo e a exportação de serviços médicos. Nos últimos meses, empresas aéreas, redes hoteleiras e operadoras de cartões deixaram de atuar no país, agravando o isolamento financeiro da ilha.

O endurecimento das sanções americanas também atingiu o fornecimento de combustíveis. Em janeiro, novas ameaças de punição a quem vendesse petróleo para Cuba contribuíram para um período de três meses sem recebimento de combustível, segundo o que foi relatado sobre a crise energética no país. Mais recentemente, Washington ampliou restrições aos setores de turismo, mineração de ouro e à estatal cubana de petróleo.

O bloqueio tem efeitos diretos no cotidiano da população, com aumento dos apagões, alta dos preços de itens básicos, redução do transporte público e dificuldades para manter o abastecimento da cesta básica subsidiada pelo Estado. Em Havana, moradores apontam que a situação econômica chegou ao pior nível em anos.

Especialistas ouvidos sobre o tema avaliam que as reformas não representam uma ruptura com o socialismo, mas sim uma tentativa de adaptar a economia cubana à pressão externa. A leitura predominante é de que as mudanças aprofundam iniciativas já adotadas anteriormente, como a permissão para pequenas propriedades produtivas e a reforma monetária de 2021.

Apesar da ampliação de mecanismos de mercado, analistas descartam que Cuba esteja em rota de transformação para o capitalismo ou para um modelo semelhante ao adotado pela China a partir dos anos 1980. A avaliação é que, sob sanções, o país segue impedido de acumular capital e de atrair o tipo de integração econômica internacional que ajudou a impulsionar o desenvolvimento chinês.

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