O Banco Central revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, que passou de 1,6% para 2%. A atualização foi divulgada nesta quinta-feira (25), no Relatório de Política Monetária, e leva em conta o desempenho acima do esperado do PIB no primeiro trimestre e a melhora das estimativas para a agropecuária e a indústria extrativa.
Entre janeiro e março de 2026, a atividade econômica avançou 1,1% em relação ao último trimestre de 2025, com crescimento nos três principais setores: agropecuária, indústria e serviços. Com isso, o BC também elevou suas previsões para a demanda interna, o consumo das famílias e os investimentos.
Segundo a autoridade monetária, a revisão incorpora uma expectativa de maior força da economia doméstica e dos setores mais dependentes do ciclo econômico, influenciada por estímulos fiscais e de crédito. Ao mesmo tempo, o Banco Central avalia que juros mais altos tendem a limitar parte desse impulso.
O relatório também detalha a condução da política monetária e as projeções de inflação. A taxa básica de juros, a Selic, ficou em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, no maior patamar em quase duas décadas. O ciclo de queda começou em março, em meio à desaceleração da inflação, mas o cenário externo, especialmente a guerra no Oriente Médio, continuou pressionando preços de combustíveis e alimentos.
Na reunião mais recente, realizada na semana passada, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, em mais um corte seguido. O BC ainda vê incertezas sobre os efeitos do conflito no ambiente econômico brasileiro.
Em 2025, a economia do país cresceu 2,3%, com avanço em todos os setores e destaque para a agropecuária. Foi o quinto ano consecutivo de expansão.
No campo da inflação, o IPCA de maio foi de 0,58%, pressionado principalmente pelos alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,72%, acima do teto da meta. O objetivo definido pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O Banco Central projeta inflação em alta até o fim de 2026, com permanência por mais de dois trimestres acima do limite superior da meta, antes de uma redução em 2027. A chance de o IPCA ultrapassar 4,5% em 2026 subiu de 30% para 79% em relação à estimativa anterior, divulgada em março.
Para o horizonte relevante da política monetária, hoje no quarto trimestre de 2027, a inflação estimada é de 3,7%. O BC afirma que as projeções subiram 0,5 ponto percentual desde março, influenciadas pela surpresa com a inflação efetiva, pela menor ociosidade da economia, pela alta do petróleo e de outras commodities e pelo aumento das expectativas inflacionárias. Juros mais altos e a valorização do câmbio, segundo a autarquia, ajudaram a conter parte dessa pressão.
No mercado de crédito, a projeção de crescimento do saldo total ofertado a famílias e empresas em 2026 foi mantida em 9%. A revisão negativa para o crédito livre foi compensada por uma estimativa maior para o crédito direcionado.
O crédito livre, sem regras fixadas pelo governo, deve crescer 7,8%, menos do que a previsão anterior. A redução ocorreu principalmente nas empresas, enquanto para pessoas físicas houve aumento da estimativa, influenciado por programas governamentais como o Move Brasil e o Novo Desenrola Brasil.
Já o crédito direcionado, voltado a áreas como habitação, rural, infraestrutura e microcrédito, teve projeção elevada para 10,7%. O ajuste foi puxado pelo financiamento às empresas, com destaque para o Desenrola para Micro e Pequenas Empresas e para o Pronampe.
Mesmo com essa revisão, o BC prevê desaceleração do crédito pelo segundo ano seguido. Em 2025, o saldo total do crédito no Sistema Financeiro Nacional cresceu 10,3%, abaixo dos 11,5% registrados em 2024.
Nas contas externas, o Banco Central reduziu a estimativa de déficit em transações correntes para 2026, agora em US$ 56 bilhões, o equivalente a 2,1% do PIB. Antes, a projeção era de US$ 58 bilhões. A melhora decorre, em grande parte, do aumento do superávit comercial, impulsionado pela alta do preço do petróleo.
As exportações devem crescer com a combinação de maior volume e preços mais altos, especialmente em produtos básicos como soja, carne bovina e petróleo. As importações também foram revistas para cima, sobretudo por causa dos combustíveis.
O financiamento do déficit externo deve vir principalmente de investimentos diretos no país. A entrada líquida projetada de capital estrangeiro em 2026 foi elevada para US$ 75 bilhões, ante US$ 70 bilhões estimados anteriormente. O BC, porém, segue vendo riscos acima da média por conta dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.




