A recomposição das aprendizagens no país deixou de ser tratada apenas como resposta emergencial aos efeitos da pandemia de Covid-19 e passou a ocupar espaço em políticas mais formalizadas nas redes de ensino. É o que mostra o diagnóstico divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Unibanco.
O estudo mapeou 151 iniciativas em 24 estados e indica que 82,8% das ações adotadas por estados e municípios já têm respaldo em normas. A análise tem como referência o Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens.
O levantamento avaliou como as redes estaduais e municipais vêm organizando suas estratégias na educação básica para enfrentar defasagens de aprendizagem e reduzir desigualdades. Foram observados temas como currículo, mediação pedagógica, formação profissional e gestão educacional. As informações foram reunidas por meio de questionários respondidos por técnicos e gestores das secretarias de educação.
Na área de currículo, todas as 52 iniciativas identificadas utilizam algum instrumento de apoio à reorganização. Em 88% dos casos, as redes adotam a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e currículos próprios.
O diagnóstico também aponta limites na participação de professores e gestores escolares na construção dessas políticas. Apenas 44% das redes disseram manter canais de escuta ativa com profissionais da ponta. Em 67% das iniciativas, o documento curricular foi elaborado pela equipe técnica central e depois submetido à validação, enquanto a participação docente ativa ocorreu em 25% dos casos.
As discussões com regionais de ensino ou estruturas equivalentes ocorreram em 27% das iniciativas. Em 8% delas, não houve qualquer processo formal de consulta.
Na formação continuada, os programas estão mais voltados a coordenadores pedagógicos, citados em 73% das ações, e a gestores escolares, em 63%. Os professores aparecem como público direto em 52% dos casos.
O estudo também mostra que o suporte pedagógico ainda é predominantemente tradicional. Livros didáticos, sequências impressas e atividades estruturadas aparecem em 52% das iniciativas. Apostilas somam 32% e recursos audiovisuais, 30%. Apenas 20% dos materiais utilizam ferramentas digitais.
Outro ponto destacado é a baixa presença de ações voltadas à saúde mental dos educadores. Em 54% das iniciativas, não há nenhuma medida específica nessa área. Programas de prevenção ao burnout aparecem em 7% dos casos, e apoio psicológico direto a docentes, em 14%.
Entre as ações voltadas aos estudantes, a maior parte está em estágio intermediário de desenvolvimento. As estratégias priorizam acolhimento coletivo contínuo, rodas de conversa e espaços de escuta. Já iniciativas ligadas a competências socioemocionais e atendimento psicológico especializado são menos frequentes.
Nas redes que mapearam o ambiente escolar, os principais desafios identificados foram violência verbal e virtual, conflitos e baixa participação das famílias. Esses fatores foram apontados como elementos que agravam as dificuldades no processo de aprendizagem.




