O dólar encerrou o primeiro pregão de julho acima de R$ 5,20, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo terminou a sessão em queda. O movimento refletiu sobretudo o cenário externo, com investidores ainda atentos à possibilidade de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (1º), o dólar comercial avançou 0,92% e fechou cotado a R$ 5,209. Ao longo do dia, chegou à máxima de R$ 5,219, após abrir perto da estabilidade. Foi o maior valor de fechamento desde 30 de março. Apesar da alta recente, a moeda ainda acumula queda de 5,08% em 2025.
A valorização do dólar foi influenciada pela leitura de que o Federal Reserve pode manter uma postura cautelosa antes de iniciar cortes nas taxas de juros. Juros mais altos nos EUA tendem a aumentar a atratividade dos títulos americanos e a fortalecer a moeda, ao mesmo tempo em que reduzem o apetite por ativos de países emergentes.
Os dados do setor privado americano também repercutiram nos negócios. O relatório divulgado nesta quarta mostrou a criação de 98 mil vagas em junho. O mercado agora aguarda o payroll, indicador oficial de emprego dos Estados Unidos, previsto para quinta-feira (2).
No Brasil, o ambiente doméstico também contribuiu para a cautela. Investidores monitoraram pesquisas eleitorais e a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, em um dia marcado por ajustes de posição no início do segundo semestre.
Na Bolsa, o Ibovespa caiu 0,20% e fechou aos 171.688 pontos. O índice chegou a operar com perdas acima de 1%, recuperou parte do terreno durante a tarde, mas não conseguiu se firmar no campo positivo. O movimento foi influenciado tanto pelo cenário internacional quanto pelo ajuste típico do começo de trimestre.
Em junho, o fluxo líquido de estrangeiros na B3 ficou negativo em R$ 8,7 bilhões, em mais um mês de retirada de recursos do mercado brasileiro.
Entre as ações, os bancos encerraram sem direção única. As petroleiras oscilaram acompanhando a queda do petróleo no exterior, enquanto as mineradoras fecharam perto da estabilidade.
Além do relatório de emprego dos EUA, os investidores seguiram atentos a falas de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu, que evitaram indicar quando poderão começar os cortes de juros. No Brasil, o Banco Central informou que o fluxo cambial acumulado até 26 de junho foi positivo em US$ 7,168 bilhões, dado que teve pouco efeito sobre o mercado.
A expectativa agora recai sobre os próximos indicadores da economia americana, que devem ajudar a definir os rumos da política monetária nos Estados Unidos e, por consequência, o comportamento do câmbio, da Bolsa e dos fluxos para mercados emergentes nas próximas semanas.




